CANAL DE SÃO ROQUE

CANAL DE SÃO ROQUE

Foto de Gabriel Pereira




domingo, 5 de setembro de 2010

O SILÊNCIO E AS PALAVRAS






             
                                       O SILÊNCIO E AS PALAVRAS         
                                                  Carlos Pereira




O silêncio dilui-se entre os dedos!
O eco das palavras é o próprio silêncio
Que guardo na palma da mão.
As silhuetas, do meu próprio destino,
Avançam e dançam diante de mim;
Extensões do meu corpo habitado
Por silêncios e palavras.
Ó vento; sossega por um momento!
E deixa-me ouvir o interior do silêncio;
A segredar-me palavras prenhes
De vida e de esperança,
Num amanhã sem chuva.



                                                  Aveiro, 23.08.2010

terça-feira, 31 de agosto de 2010

UM AMOR AINDA VIVO



(óleo sobre tela de Salete Pereira)






                                 UM AMOR AINDA VIVO
    Carlos Pereira



                                    Na sepultura
Dos nossos desejos…
Há beijos a latejar
E abraços por medir.
                                    Da alvorada
De constelações,
Que desce benigna
Numa catarse
Dos nossos sentidos;
Ouve-se a voz
D’ um amor ainda vivo.



   Aveiro, 18.05.2010


                               

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

HUMILDE POESIA



(Palheiros - Aveiro)
(Foto de Gabriel Pereira)




                         HUMILDE POESIA
                            Carlos Pereira




Na origem humilde está o gene da minha poesia;
Não sou literato, mas tenho a douta sabedoria
Para escrever os versos simples que amo e sinto,
Mas como qualquer poeta, eis, que também minto.

Gosto de procurar as palavras no labirinto
Do meu cérebro, e as cores com que pinto
Os meus poemas em labaredas de fantasia,
Que a minha alma exorta em hinos de alegria.

Com a minha voz meus versos não canto,
Mas com as mãos aos ventos devia lançá-los;
Nos meus olhos quando os leio, em pranto

Ficam por sabê-los que na tua doce garganta,
Imorredoiros; irás generosamente cantá-los,
Como quem odes, de alegria, aos céus canta.



                          Aveiro, 16.04.2010  

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

VENHO DE TÃO LONGE

          


(Foto de Gabriel Pereira)



                          
                                             VENHO DE TÃO LONGE   
                                                     Carlos Pereira




                                Venho de tão longe, não sei de onde;
                                Não trago ouro nem sonhos por sonhar;
                                No peito uma vontade que se esconde,
                                E que não sabe se comigo quer ficar.

                                Nada trouxe da lonjura do passado,
                                E nem a doçura do teu sorriso me ficou,
                                Para acalmar este amor abrasado…
                                Que a chama dos teus olhos ateou.

                               Já sinto saudade do mel da tua boca,
                               Das tuas mãos tão níveas e serenas;
                               Cheias de magia… embora pequenas.

                               Esta dor que em mim desemboca,
                               Como rio que anseia chegar ao mar;
                               Traz-me a certeza de à nascente voltar.


                                   
                                                 Aveiro, 11.04.2010  


                                            

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

COMPANHEIROS DE JORNADA



(Foto de Salete Pereira)






COMPANHEIROS DE JORNADA
Carlos Pereira





Inquilina d’ um céu que já foi seu…

A ave suspendeu o voo.

Jaz exangue na poeira da estrada;

Desiludida, cansada;

Dou-lhe o meu sorriso…

Afinal, somos companheiros de jornada.




Praia da Barra, 08.07.2010






terça-feira, 17 de agosto de 2010

SAUDADE



(Foto de Gabriel Pereira)






               SAUDADE
           Carlos Pereira
               


Barqueiro, meu amor, levaste,
Fiquei eu triste no lado oposto.
Acaso alguma vez reparaste;
Quão grande é o meu desgosto?

Ó rio, suplico-te: - leva a minha mágoa
No teu devaneio para a outra margem.
Liberta é minha dor se na tua água,
O barqueiro, meu amor trouxer na sua viagem.

Saudade que sinto por ti ausente
Na minha alma se aloja e dói,
Como ácido, que minhas veias; corrói.

Esta tristeza que o meu corpo dormente,
Em anseios ufanos quer que d’ ele se aparte…
Seque o rio, para que não possa de mim separar-te.

                                         
                            Aveiro, 14.04.2010                      





sábado, 14 de agosto de 2010

SUOR E ESPERANÇA






                    
          SUOR E ESPERANÇA
               Carlos Pereira



Trabalhador vergado de sol a sol,
Não passas de uma insignificante cifra…
Malgrado o esforço és mais um no rol…
De quem, ignóbil e vilmente te esmifra.

Ceifeira trigueira que cegas o pão
Com o sangue e o suor do teu rosto…
À noite, cansada, deitada no chão…
Finges amar o teu homem com gosto.

Pescador sem rumo nem hora,
Se do teu lanço o peixe for parco;
Lança de novo as redes…agora,
Que Deus no céu já viu o teu barco.

Lavrador que esventras a terra
Com o arado da tua esperança…
A semente que a tua alma encerra;
Irá germinar nos olhos de uma criança.

                                    
                                
                Aveiro, 04.04.2010