CANAL DE SÃO ROQUE

CANAL DE SÃO ROQUE

Foto de Gabriel Pereira




segunda-feira, 20 de setembro de 2010

AS ARESTAS DAS PEDRAS



(Foto de Gustavo Martins)







        AS ARESTAS DAS PEDRAS
                     Carlos Pereira



        As arestas das pedras,
        Multiformes e milenares;
        Escudo da hostilidade do mundo;
        Protecção, quase maternal,
        Dos que acreditam
        Na bondade dos homens.



                                   Praia da Barra, 17.08.2010




sexta-feira, 17 de setembro de 2010

DO MEU SONO LETÁRGICO


(Foto de Gustavo Martins)



        DO MEU SONO LETÁRGICO
                    Carlos Pereira




Do meu longo sono letárgico,
Já sol alto; acordei;
Dos teus olhos o brilho galáctico;
Foi luz com que os meus; incendiei.

Do meu longo sono sonhei, 
O calor do teu corpo enigmático;
Breve foi nosso amor, bem sei...
E de tão breve...tão mágico.

Esta dor que o meu sonho ilude,
De te ver partir sem regresso;
É castigo penoso que não mereço.

Para novamente em toda a plenitude;
Ter teu lindo, embora efémero, sorriso;
Voltarei a adormecer...se for preciso.


                  Aveiro, 20.06.2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

MEDITAÇÃO



(Foto de Gustavo Martins)



                              MEDITAÇÃO
                            Carlos Pereira




Como é bom desfrutar o remanso de fim de tarde,
Ouvindo o murmúrio lânguido das águas do rio;
Sentir o cheiro da terra prenhe…que Deus a guarde!
Para que o meu sonho não seja apenas um desvario.

Se entretanto, de tanta paz, cair nos braços de Morfeu,
E os meus olhos perderem tão balsâmica contemplação,
Que não percam a esperança que o meu sonho lhes deu,
De verem no sorriso de uma criança… a obra da criação.

Que os últimos raios de sol me tirem desta letargia,
Para sentir o pulsar da vida em todo o seu esplendor;
Vivamo-la, intensamente, como se fosse o derradeiro dia,
Na busca incessante da partilha e do sublime amor.

Constrói os teus caminhos alicerçados na probidade,
E se apesar disso, sem razão, for madrasta a tua desdita,
Não te resignes, luta sem tréguas pela felicidade,
Que um dia ela virá na luz de uma estrela bendita.

                                          

                            Aveiro, 20.03.2010   


sábado, 11 de setembro de 2010

PALAVRAS



(Foto de Gabriel Pereira)







                 PALAVRAS
              Carlos Pereira
              



As palavras são como nós;
Umas ricas, outras pobres.
Todas têm força e voz;
Umas são plebe, outras nobres.

Verbo, substantivo, artigo definido,
Todas têm a sua função;
Escritas com duplo sentido;
Algumas com segunda intenção.

                                                Palavras lindas d’ amor
Ou mortíferas d’ ódio.
Umas escondem a dor

Que outras teimam, acordar.
Algumas elogiam o pódio
Para mais tarde recordar.

      
    
       Aveiro, 06.06.2010



          

domingo, 5 de setembro de 2010

O SILÊNCIO E AS PALAVRAS






             
                                       O SILÊNCIO E AS PALAVRAS         
                                                  Carlos Pereira




O silêncio dilui-se entre os dedos!
O eco das palavras é o próprio silêncio
Que guardo na palma da mão.
As silhuetas, do meu próprio destino,
Avançam e dançam diante de mim;
Extensões do meu corpo habitado
Por silêncios e palavras.
Ó vento; sossega por um momento!
E deixa-me ouvir o interior do silêncio;
A segredar-me palavras prenhes
De vida e de esperança,
Num amanhã sem chuva.



                                                  Aveiro, 23.08.2010

terça-feira, 31 de agosto de 2010

UM AMOR AINDA VIVO



(óleo sobre tela de Salete Pereira)






                                 UM AMOR AINDA VIVO
    Carlos Pereira



                                    Na sepultura
Dos nossos desejos…
Há beijos a latejar
E abraços por medir.
                                    Da alvorada
De constelações,
Que desce benigna
Numa catarse
Dos nossos sentidos;
Ouve-se a voz
D’ um amor ainda vivo.



   Aveiro, 18.05.2010


                               

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

HUMILDE POESIA



(Palheiros - Aveiro)
(Foto de Gabriel Pereira)




                         HUMILDE POESIA
                            Carlos Pereira




Na origem humilde está o gene da minha poesia;
Não sou literato, mas tenho a douta sabedoria
Para escrever os versos simples que amo e sinto,
Mas como qualquer poeta, eis, que também minto.

Gosto de procurar as palavras no labirinto
Do meu cérebro, e as cores com que pinto
Os meus poemas em labaredas de fantasia,
Que a minha alma exorta em hinos de alegria.

Com a minha voz meus versos não canto,
Mas com as mãos aos ventos devia lançá-los;
Nos meus olhos quando os leio, em pranto

Ficam por sabê-los que na tua doce garganta,
Imorredoiros; irás generosamente cantá-los,
Como quem odes, de alegria, aos céus canta.



                          Aveiro, 16.04.2010