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BELOS E DECENTES
Carlos Pereira
Hoje, vou fingir que vivo num país decente
Ainda que não lucre nada com isso.
Todos devíamos fingir que vivemos num país decente.
Assim, talvez fosse mais decente este país,
Que não tem, de decência, quase nada.
Podia-se começar por melhorar as pessoas,
Não no seu lado estético.
Para isso, já existem os mil e um cremes anti quase, tudo;
A cirurgia estética, os prodígios do “silicone” e os SPAS;
Tudo ferramentas, para modificar ou melhorar,
O lado que menos interessa a um país decente.
Não se pode perder tempo com o seu lado supérfluo
Quando há tanto para fazer no seu lado intrínseco.
É urgente, é necessário, que saibamos transformar
O nosso percurso interior na persecução
De uma sociedade, em que todos nos sintamos,
Belos e decentes.
Aveiro, 15.09.2011