CANAL DE SÃO ROQUE

CANAL DE SÃO ROQUE

Foto de Gabriel Pereira




domingo, 8 de janeiro de 2012

SONHOS NOCTURNOS



Foto de Carlos Pereira








SONHOS NOCTURNOS

Carlos Pereira





Sob a luz do dia, desprendem-se fragrâncias

De sonhos nocturnos,

Que me ajudaram a atravessar todo o Universo

E todos os Mares, embalado com o sal amadurecido

Pelos bocejos da noite.

Voltarei sempre a esta praia, onde os grãos de areia

Perpetuarão o pó das estrelas

E o pensamento evolutivo da Humanidade.





Aveiro, 07.01.2012






quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A NOSSA LÍNGUA



carcere peniche
Foto retirada da Net



A NOSSA LÍNGUA
Carlos Pereira


Não!
As palavras não são a nossa Língua,
Enquanto das encostas resvalarem fantasmas
Que se agitarão nos vales da noite;
Enquanto dormitarem almas sofridas
Na lareira onde arde o azinho dos nossos antepassados.
A nossa Língua só será de palavras
Quando esvaziarmos todo o sofrimento,
Dos cárceres que construímos.


Aveiro, 24.11.2011

domingo, 20 de novembro de 2011

RESISTIR



Foto de Carlos Pereira




RESISTIR
Carlos Pereira


Quero renascer das minhas entranhas;
Projectar os meus medos num mar incendiado.
Sorver cada gota de orvalho em todas as manhãs;
Sentir o odor da esperança em cada sonho.
Partir com a certeza de que não haverá náufragos
Nos mares da minha intranquilidade.
Resistir com um sorriso estóico,
Mesmo que todas as minhas veias chorem.
Inventar novas armaduras, para os silêncios
Que me atormentam.
Descobrir novas longitudes e rasgadas latitudes 
Que me devolvam as naus do conhecimento.
Caminhar nos sulcos da terra lavrada;
Abraçar as searas de trigo
Que serão destinos de paz, na minha rota.


Aveiro, 17.10.2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O COMODISTA



Foto retirada do Google








O COMODISTA
Carlos Pereira



Raramente se revê na luta dos outros.
Passas demasiado tempo no aconchego do conforto
Dos eufemismos que te subornam;
Que te corrompem, que te prostituem,
Que te apodrecem os músculos e os tendões,
Que te coagulam o sangue.
Serei a sentinela que nunca te deixará adormecer
No colchão da tua delinquência;
Serei o repórter urbano das palavras que te incomodarão
Até à medula da tua última geração,
Para que te revejas sempre, na luta dos outros.



Aveiro, 20.10.2011






domingo, 23 de outubro de 2011

SEARAS DE POESIA



Foto de Carlos Pereira



SEARAS DE POESIA
Carlos Pereira



Viajo no interior da seiva da palavra
Para que nunca agonize o meu verso;
E assim, do trono etéreo, minha musa lavra
Searas de poesia em mármore terso.


Do mar venha um vento brando, embalado
Em barcos de sal e ondas de fúria mansa,
Que levará meu poema na pedra talhado,
Por rotas e impérios onde a palavra não cansa.


Ambiciono ser rico; não de ouro ou vil metal;
Ter a palavra como bem mor, minha fortuna,
Pluralidade de versos, herança universal.


Da inspiração, quero o meu dom bem fecundo.
Da palavra, quero a força do orador na tribuna.
Do meu poema, quero ser voz de infante, no mundo.




Aveiro, 30.03.2010

Publicado na revista NORTADA



domingo, 16 de outubro de 2011

O ÚLTIMO POEMA



Foto de Carlos Pereira



O ÚLTIMO POEMA
Carlos Pereira


Esta rua é demasiado estreita
Para nós, para os nossos sonhos.
Há muito que devíamos ter partido,
Deixar tudo para trás;
A raiz, o tronco, os ramos, as folhas,
Das nossas horas desbotadas.
Levávamos, apenas, o nosso amor.
Pelo caminho, falávamos só com o vento
E com as flores que nos acenassem.
Recordávamos os dias felizes e os dias
Em que o Sol, secou as lágrimas
Às estrelas que nos visitam.
Deixávamos uma carta para tranquilizar
Os muros e as sombras e a água do riacho
Que apaga o incêndio dos nossos silêncios;
Prometendo o regresso quando chegar
A hora de fazer, o último poema.



Aveiro, 07.10.2011







                              

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

BELOS E DECENTES



Imagem retirada do Google




          

BELOS E DECENTES
Carlos Pereira


Hoje, vou fingir que vivo num país decente
Ainda que não lucre nada com isso.
Todos devíamos fingir que vivemos num país decente.
Assim, talvez fosse mais decente este país,
Que não tem, de decência, quase nada.
Podia-se começar por melhorar as pessoas,
Não no seu lado estético.
Para isso, já existem os mil e um cremes anti quase, tudo;
A cirurgia estética, os prodígios do “silicone” e os SPAS;
Tudo ferramentas, para modificar ou melhorar,
O lado que menos interessa a um país decente.
Não se pode perder tempo com o seu lado supérfluo
Quando há tanto para fazer no seu lado intrínseco.
É urgente, é necessário, que saibamos transformar
O nosso percurso interior na persecução
De uma sociedade, em que todos nos sintamos,
Belos e decentes.

Aveiro, 15.09.2011