CANAL DE SÃO ROQUE

CANAL DE SÃO ROQUE

Foto de Gabriel Pereira




sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

NABABO

 
 
Foto retirada da Net
 
 
 
 
 
 
 
NABABO
Carlos Pereira
 
 
Para ti não é preocupação o caldo
Da panela magra no lume do pobre;
Nem o seu agasalho a preço de saldo;
Tão pouco o preço da manta que te cobre.
 
 
Aveiro, 11.02.2013
 



sábado, 16 de fevereiro de 2013

SER E PARECER

 
 
Foto de Carlos Pereira
 
 
 
 
 
 
SER E PARECER
Carlos Pereira
 
 
Às vezes somos
O que parecemos ser;
Outras tantas fomos
sem o parecer.
 
Ser e parecer são
irmãos na raiz.
Parece que um só, não
basta para ser feliz.
 
 
Aveiro, 04.02.2013
                                               
 
 


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A CRISÁLIDA DO TEMPO

Foto de Salete Pereira
 
 
 
 
 
 
 

A CRISÁLIDA DO TEMPO
Carlos Pereira
 
 
Neste trajecto já quase consumado ainda emergem
Obstáculos em sobressalto, como rochas a desnudarem-se,
Lentamente, na vazante do mar.
A clareza dos contornos das palavras com que exercito
O poema da eternidade torna a luz das estrelas mais clara
E promete relâmpagos de lágrimas num céu de cinzas.
Só a crisálida do tempo, saberá se valeu a pena
Tanto esforço para metamorfosear o mundo.
 
 

Aveiro, 11.05.2012


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

ESTE É UM TEMPO

Foto de Carlos Pereira
 
 
 
 
 

ESTE É UM TEMPO

Carlos Pereira
 


Este é um tempo de fomes proclamadas

De presente mais que adverso, indeciso.

Assente em falácias subtilmente propaladas,

Direcionadas ao alvo sempre fácil e preciso.
 


Este é um tempo de figuras asnadas

De um futuro mais que incerto, impreciso.

Os vampiros bebem o sangue das manadas;

Em troca, piedosos, oferecem pálido sorriso.
 


Este é um tempo de ignóbeis enxovalhos

Gizados por uma casta inepta mas arguta,

Que teima pôr de cócoras quem labuta.
 


Este é um tempo de dizer aos bandalhos

Num grito sentido, feroz, clamando justiça,

Que usaremos a força da voz em toda a liça.

 

 Aveiro, 27.11.2012


in Poetas d'hoje  - Colectânea - Um grito contra a pobreza
Edição Grupo de Poesia da Beira Ria - Aveiro - Outubro 2015



 



domingo, 20 de janeiro de 2013

MULHER, HINO E ANJO

Foto retirada da Net
 
 
 
MULHER, HINO E ANJO

Carlos Pereira
 

Tu, Mulher, hino e anjo que conheces todas as estradas

No interior dos astros, perpetuarás para todo o sempre

O amor, no azul celestial dos céus e voarás,

Altiva, lado a lado, com a pomba branca da paz milenar;

Assim crias o embrião do sorriso no Universo

E destróis a solidão, que vagueia no sangue

Das veias das nossas vidas.
 
 
 
 
Aveiro, 16.05.2012
 


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

SONETO PARA MINHA MÃE

Foto de Carlos Pereira
 
 
 
 
 



SONETO PARA MINHA MÃE

Carlos Pereira

 

 

Estou só, por dentro e por fora,

Neste futuro que chegou tão depressa.

Minh’ alma ainda ri, ainda chora,

O tempo da infância que começa

 

Nas lembranças da criança que sou agora;

E toda a memória em fio de amor se teça.

Recordo o silêncio bondoso, na aurora

Dos teus olhos, para que a infância permaneça.

 

Tão real tão dolorosa esta tristeza lerda;

Deixaste-me as tuas mãos para que as afagasse,

Quando a saudade me lembrar a tua perda.

 

Partiste mas a casa não ficou desabitada;

Órfão, fiquei de ti não das palavras onde nasce

O poema onde te trago sempre lembrada.

 

Aveiro, 3.1.2013


Publicado no Diário de Aveiro


 

 

 



domingo, 16 de dezembro de 2012

ESTE MUNDO NÃO É PARA NÓS

 
 
Foto de Carlos Pereira
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTE MUNDO NÃO É PARA NÓS
Carlos Pereira
 
As chamas queimam as nossas línguas
Por cima das árvores e da cama onde adormecemos ontem,
Véspera do raio de sol que inundou a estrada
No preciso momento em que gritaste:
Este Mundo não é para nós!
As nossas bocas não sabem contar histórias às estrelas
Quando fecham os olhos.
Os nossos dedos teimam em despentear
Os cabelos à lua adormecida no quarto-minguante,
De um céu indeciso.
Todas as feridas que sangram
Deveriam confluir o sangue para o mesmo rio
Onde dormem os astros primevos e a noite, a transbordar
De fantasmas glaciares a dançarem no ventre da Terra.
Quando o Mundo depender apenas da asa da ave
Seremos imortais e o medo agonizará no leito do vulcão.
 
 
Aveiro, 29.05.2012