Foto de Salete Pereira
MOMENTOS REFLEXIVOS
Carlos Pereira
Na imperfeição do caminho há tortuosos contornos,
que são o troféu maior dos que vencem
com a veemência afirmativa da sabedoria.
Quando me detenho a olhar a natureza,
sou profundamente mais humano e imensamente feliz,
porque tudo me pertence nesse exacto momento.
Olhar, é ver muito para além de quem apenas vê
e se acomoda no entediante casulo de observador lôbrego.
Não temas percorrer o caminho sinuoso da montanha;
nela não tropeçarás.
Teme, sim, a tua marcha no caminho pedregoso,
ainda que de pequenos seixos e plano;
nele tombarás se teus passos não forem, inequivocamente,
invulneráveis e precisos.
A implacável solidão pode-nos gastar, pode-nos tombar;
corpos pendentes sobre um muro instável;
trajetória indomável do destino.
Sopro do vento a murmurar-nos memórias antanhas
e a prolongar a lentidão da noite na agonia das sombras.
A brancura da manhã adormece os meus versos
na sonolenta corrente do rio e, as palavras silenciosas,
ocupam o vazio entre a distância do alvor do teu sorriso
e o entardecer matizado pelo esplendor colorido de um amor indiviso.
Aveiro, 19 de Fevereiro de 2016
Publicado no Diário de Aveiro
Carlos Pereira
Na imperfeição do caminho há tortuosos contornos,
que são o troféu maior dos que vencem
com a veemência afirmativa da sabedoria.
Quando me detenho a olhar a natureza,
sou profundamente mais humano e imensamente feliz,
porque tudo me pertence nesse exacto momento.
Olhar, é ver muito para além de quem apenas vê
e se acomoda no entediante casulo de observador lôbrego.
Não temas percorrer o caminho sinuoso da montanha;
nela não tropeçarás.
Teme, sim, a tua marcha no caminho pedregoso,
ainda que de pequenos seixos e plano;
nele tombarás se teus passos não forem, inequivocamente,
invulneráveis e precisos.
A implacável solidão pode-nos gastar, pode-nos tombar;
corpos pendentes sobre um muro instável;
trajetória indomável do destino.
Sopro do vento a murmurar-nos memórias antanhas
e a prolongar a lentidão da noite na agonia das sombras.
A brancura da manhã adormece os meus versos
na sonolenta corrente do rio e, as palavras silenciosas,
ocupam o vazio entre a distância do alvor do teu sorriso
e o entardecer matizado pelo esplendor colorido de um amor indiviso.
Aveiro, 19 de Fevereiro de 2016
Publicado no Diário de Aveiro

