CANAL DE SÃO ROQUE

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Foto de Gabriel Pereira




segunda-feira, 5 de julho de 2010

FANTASIA



(Foto de Gabriel Pereira)


                                           
               FANTASIA
           Carlos Pereira



Do cais da minha fantasia
Vejo estrelas, algumas de cetim.
Será loucura ou utopia?
Se outros não as vêem assim.

Vejo horizontes de lava
Em fúria incandescente,
Que a minha fantasia cava
Em delírio comovente.

Vejo sois ardendo desejo
Em céus de espuma e mar;
Na tua boca deixam um beijo

Feito de ternura celestial
E de pedaços de luar:
-Minha fantasia será imortal.


                                           
                                                Aveiro, 01.05.2010                                                           



sábado, 3 de julho de 2010

TEUS OLHOS



(óleo sobre tela de Salete Pereira)





       TEUS OLHOS
      Carlos Pereira



Pelos teus olhos me perco
Pela sua luz me perdi;
Seu brilho é um cerco
Que me acorrenta a ti.


Teus olhos são pontos
Verdes no céu azul…
Por eles ficam os meus tontos;
Vendo o norte onde é sul.

Teus olhos são campos
Em flor e estrelas nos céus;
São lindos pirilampos


A brincar com os meus;
Mostrando os encantos
E a doçura dos olhos teus.



    Aveiro, 26.05.2010

terça-feira, 29 de junho de 2010

EMOÇÕES


(óleo sobre tela de Salete Pereira)



  EMOÇÕES
 Carlos Pereira





                                  A vida é uma panóplia de emoções
                                    Que por vezes não controlamos;
                                   Assim é também com os corações
                                     D’ aqueles amores que amamos.


                                           A luz é farol que nos guia…
                                      O amor é impulso que nos move;
                                          Vale mais chorar de alegria
                                   Do que rir d’ aquilo que nos comove.


                                  O indigente que não tem quem o acoite,
                                  Ou lhe dê o calor de uma palavra amiga;
                                     Jamais adormece… chegada a noite,
                             Sem agradecer às estrelas do céu que o abriga.


                                                         Aveiro, 14.04.2010


                                Publicado no Diário de Aveiro de 09.10.2010

sábado, 26 de junho de 2010

ESTE MAR

(
(óleo sobre tela de Salete Pereira)



            ESTE MAR
        Carlos Pereira






Para cá da barreira de coral
Há um mar onde os barcos
Não têm rumo nem mastros,
Nem marinheiros por sinal.

Povo d’ um destino sempre fatal!
Teu leme nunca teve teus braços
A guiar-te neste mar de cansaços
E de sonhos petrificados de sal.


Onde já foram pérolas é agora areia;
Palco do encanto e do canto da sereia
Que nos aprisiona com o seu feitiço.


Soltem-se os peixes da prisão!
Devolvamos-lhe a liberdade… e só então,
Este mar deixará de ser submisso.




           Aveiro, 17.05.2010

domingo, 20 de junho de 2010

POEMA DE AMOR



(óleo sobre tela de Salete Pereira)


    
   
         POEMA DE AMOR
            Carlos Pereira



Queria tanto fazer-te um poema
De versos rimados e flores;
Cingir teus seios com alfazema
E rosas de todas as cores.

Este amor que em mim arde
Como o sol no espaço sideral;
Anseia que de ti não tarde…
Um beijo ardente e intemporal.

Da luz dos teus olhos vou fazer
Uma alvorada resplandecente;
E se deles uma lágrima se verter…


Em teu coração farei nascer
Um rio de amor transparente,
Que em cada maré irá crescer.



        Aveiro, 27.04.2010

quinta-feira, 17 de junho de 2010

CHEGAR



(imagem retirada do Google)




       CHEGAR
  Carlos Pereira




Caminho
Dobrando a curva
Vencendo a recta
Sozinho;
Já vejo a meta.
Anseio que a etapa
Não endureça.
Não aspiro ganhar
Nem perder;
Só quero chegar…
Antes que anoiteça.



 Aveiro, 28.05.2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

PORQUE SE HÁ-DE FINGIR



                                              (imagem retirada do Google)

            
           PORQUE SE HÁ-DE FINGIR
                      Carlos Pereira


Porque se há-de fingir o que não somos;
Iludir a verdade ferindo a consciência;
De nada vale tentar ser o que não fomos,
Só para dourarmos a nossa existência.

Pouco importa o berço onde nascemos!
Os brasões e os tesouros herdados,
Se na mentira castelos erguemos…
Com a verdade… seremos julgados.

Calem-se, ó bocas de maledicência!
O silêncio é de ouro quando entendemos,
Que fingir só salva a aparência.

Se formos diáfanos nos actos; honrados
Na derrota e humildes quando vencemos;
O fingimento e a loa serão repudiados.

                     
                        Aveiro, 08.04.2010


Publicado no Diário de Aveiro de 28.08.2010