CANAL DE SÃO ROQUE

CANAL DE SÃO ROQUE

Foto de Gabriel Pereira




terça-feira, 10 de agosto de 2010

QUERO



(Foto de Salete Pereira)





                        QUERO          
                  Carlos Pereira
              



Conhecer-te por dentro e por fora…
Decifrar o teu sorriso enigmático…
Estar contigo a toda a hora…
Caminhar contigo de mãos dadas…
Guardar-te no meu sonho errático,
E não ser, do teu livro, páginas rasgadas.

Calcorrear caminhos nunca percorridos…
Desvendar trilhos com passos seguros…
Compreender o império dos sentidos…
Amar-te para além dos limites do universo…
Suavizar os teus dias mais duros,
Em troca de um sorriso em forma de verso.

Vencer montes, vales, ventos e marés…
Mergulhar no rio do teu contentamento…
Sentir o teu corpo quente de lés-a-lés…
Voar com as tuas asas por sobre as nuvens…
Ser prisioneiro do teu encantamento,
Enquanto sentir dor…porque não vens.

                   
                  
                     Aveiro, 06.04.2010                    



domingo, 8 de agosto de 2010

UM AMOR JURADO ETERNO



(Foto de Salete Pereira)





                        
                   UM AMOR JURADO ETERNO
                                Carlos Pereira  





 Já não me escorre pelos dedos a seiva dos dias;
 São já álbum amarelecido de longínqua recordação.
 Extinta está a luz dos meus olhos em que te vias
 E no meu peito jaz a dor triste deste amor em vão.

 Olho para trás e recordo as linhas do teu rosto,
 A tua boca, os teus cabelos esvoaçando ao vento.
 Neste desfiar de memórias; resta apenas o desgosto
 D’ um amor jurado eterno …ora apenas sofrimento.

 Agora que caminho sem ti e a aura do teu encanto
 Se esfumou em miríades de estrelas; meu luto
 Dardeja com arpéus de dor este amor impoluto.

 Cansados estão meus olhos por tão acre pranto
 Que os inundam em torrentes de mágoa e dor;
 Quanto mais choram, mais de ti, me lembro, amor.


                                          
Aveiro, 29.05.2010             


terça-feira, 20 de julho de 2010

POEMA INSTANTÂNEO



(Foto de Gabriel Pereira)



                                            POEMA INSTANTÂNEO
                                                   Carlos Pereira

                                                    
                                          

                                  Vou fazer um poema instantâneo
                                  Com palavras a esmo e avulso.
                                  Se no final for um sucedâneo
                                  Pouco importa; valeu o impulso.

                                  Martelo bate com cadência na bigorna
                                  Da minha adormecida inspiração,
                                  Para ver se a minha musa torna
                                  A escrever versos pela minha mão.

                                  Palavras leva-as o vento - diz o povo!
                                  Com sabedoria ancestral e sensatez;
                                  Levadas sejam para longe do poço covo.

                                  Doravante triste fico se ignorando não lês
                                  Meus versos que reinventar de novo;
                                  Minha musa voltou e serei poeta de vez.


                                                      Aveiro, 28.05.2010    


sexta-feira, 16 de julho de 2010

AMOR E DOR



(óleo sobre tela de Salete Pereira)


               

       AMOR E DOR
      Carlos Pereira



Este anseio pungente
De te querer sem te ter;
Dói-me somente…
Por noutros braços te saber.

Dos teus olhos mendigo
Um sorriso um olhar,
Que serão o meu abrigo
Quando a dor voltar.

Quisesse eu esquecer-te!
Minha vontade não deixa
Que esta chama se feneça.

Merecerei eu perder-te?
Meu amor, minha gueixa;
Não peças que te esqueça.

       

        Aveiro, 18.04.2010    
       
       

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A PALAVRA



(Foto de Gabriel Pereira)





A PALAVRA
Carlos Pereira



Renascida da água e do fogo,
A palavra dita assim,
Na fímbria da página,
Sem preconceitos ou falsos ornatos;
É o começo de tudo.
É o peão da mente
Que o xadrez da tirania…
Nunca vence.



Aveiro, 14.07.2010




MOMENTO (Às vezes)



(Foto de Gabriel Pereira)



          
   MOMENTO (Às vezes)
          Carlos Pereira




   É vórtice
   Num ápice

   É fatal
   Se irracional

   É d’ ouro
   Se duradouro


   É complexo
   Sem amplexo
  
   É banal
   Quando superficial

   É imenso
   Quando intenso

   É grandioso
   Quando precioso

   É pungente
   Quando se mente

   É tudo isto
   E muito mais
   E muito mais
   Do que isto



   Aveiro, 11.04.2010










sábado, 10 de julho de 2010

NO GUME AFIADO DO SILÊNCIO


(óleo sobre tela de Salete Pereira)





 NO GUME AFIADO DO SILÊNCIO
  Carlos Pereira




 No gume afiado do silêncio;
É noite já.
Noite cor de âmbar flamejante
Onde nossos poros regurgitam
Desejos em leito amante.


Já sinto os passos invisíveis
Dos teus sentidos.
Apressados…
Tanto quanto os meus;
Para a valsa dos predestinados.



Aveiro, 09.05.2010