CANAL DE SÃO ROQUE

CANAL DE SÃO ROQUE

Foto de Gabriel Pereira




sábado, 11 de setembro de 2010

PALAVRAS



(Foto de Gabriel Pereira)







                 PALAVRAS
              Carlos Pereira
              



As palavras são como nós;
Umas ricas, outras pobres.
Todas têm força e voz;
Umas são plebe, outras nobres.

Verbo, substantivo, artigo definido,
Todas têm a sua função;
Escritas com duplo sentido;
Algumas com segunda intenção.

                                                Palavras lindas d’ amor
Ou mortíferas d’ ódio.
Umas escondem a dor

Que outras teimam, acordar.
Algumas elogiam o pódio
Para mais tarde recordar.

      
    
       Aveiro, 06.06.2010



          

domingo, 5 de setembro de 2010

O SILÊNCIO E AS PALAVRAS






             
                                       O SILÊNCIO E AS PALAVRAS         
                                                  Carlos Pereira




O silêncio dilui-se entre os dedos!
O eco das palavras é o próprio silêncio
Que guardo na palma da mão.
As silhuetas, do meu próprio destino,
Avançam e dançam diante de mim;
Extensões do meu corpo habitado
Por silêncios e palavras.
Ó vento; sossega por um momento!
E deixa-me ouvir o interior do silêncio;
A segredar-me palavras prenhes
De vida e de esperança,
Num amanhã sem chuva.



                                                  Aveiro, 23.08.2010

terça-feira, 31 de agosto de 2010

UM AMOR AINDA VIVO



(óleo sobre tela de Salete Pereira)






                                 UM AMOR AINDA VIVO
    Carlos Pereira



                                    Na sepultura
Dos nossos desejos…
Há beijos a latejar
E abraços por medir.
                                    Da alvorada
De constelações,
Que desce benigna
Numa catarse
Dos nossos sentidos;
Ouve-se a voz
D’ um amor ainda vivo.



   Aveiro, 18.05.2010


                               

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

HUMILDE POESIA



(Palheiros - Aveiro)
(Foto de Gabriel Pereira)




                         HUMILDE POESIA
                            Carlos Pereira




Na origem humilde está o gene da minha poesia;
Não sou literato, mas tenho a douta sabedoria
Para escrever os versos simples que amo e sinto,
Mas como qualquer poeta, eis, que também minto.

Gosto de procurar as palavras no labirinto
Do meu cérebro, e as cores com que pinto
Os meus poemas em labaredas de fantasia,
Que a minha alma exorta em hinos de alegria.

Com a minha voz meus versos não canto,
Mas com as mãos aos ventos devia lançá-los;
Nos meus olhos quando os leio, em pranto

Ficam por sabê-los que na tua doce garganta,
Imorredoiros; irás generosamente cantá-los,
Como quem odes, de alegria, aos céus canta.



                          Aveiro, 16.04.2010  

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

VENHO DE TÃO LONGE

          


(Foto de Gabriel Pereira)



                          
                                             VENHO DE TÃO LONGE   
                                                     Carlos Pereira




                                Venho de tão longe, não sei de onde;
                                Não trago ouro nem sonhos por sonhar;
                                No peito uma vontade que se esconde,
                                E que não sabe se comigo quer ficar.

                                Nada trouxe da lonjura do passado,
                                E nem a doçura do teu sorriso me ficou,
                                Para acalmar este amor abrasado…
                                Que a chama dos teus olhos ateou.

                               Já sinto saudade do mel da tua boca,
                               Das tuas mãos tão níveas e serenas;
                               Cheias de magia… embora pequenas.

                               Esta dor que em mim desemboca,
                               Como rio que anseia chegar ao mar;
                               Traz-me a certeza de à nascente voltar.


                                   
                                                 Aveiro, 11.04.2010  


                                            

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

COMPANHEIROS DE JORNADA



(Foto de Salete Pereira)






COMPANHEIROS DE JORNADA
Carlos Pereira





Inquilina d’ um céu que já foi seu…

A ave suspendeu o voo.

Jaz exangue na poeira da estrada;

Desiludida, cansada;

Dou-lhe o meu sorriso…

Afinal, somos companheiros de jornada.




Praia da Barra, 08.07.2010






terça-feira, 17 de agosto de 2010

SAUDADE



(Foto de Gabriel Pereira)






               SAUDADE
           Carlos Pereira
               


Barqueiro, meu amor, levaste,
Fiquei eu triste no lado oposto.
Acaso alguma vez reparaste;
Quão grande é o meu desgosto?

Ó rio, suplico-te: - leva a minha mágoa
No teu devaneio para a outra margem.
Liberta é minha dor se na tua água,
O barqueiro, meu amor trouxer na sua viagem.

Saudade que sinto por ti ausente
Na minha alma se aloja e dói,
Como ácido, que minhas veias; corrói.

Esta tristeza que o meu corpo dormente,
Em anseios ufanos quer que d’ ele se aparte…
Seque o rio, para que não possa de mim separar-te.

                                         
                            Aveiro, 14.04.2010