CANAL DE SÃO ROQUE

CANAL DE SÃO ROQUE

Foto de Gabriel Pereira




domingo, 3 de outubro de 2010

O ESPAÇO E O TEMPO



Foto de Piedade Araújo Sol




O ESPAÇO E O TEMPO
Carlos Pereira



Entre o espaço e o tempo,
O átomo deu lugar à matéria;
Fez-se luz, desconhecidos infinitos;
O milagre da vida aconteceu.



Da pedra das trevas fez-se a noite.
Noite no silêncio das estrelas;
Na hera que trepa o muro
E quase abraça o universo.


A viagem de regresso;
É entre o futuro e o passado.
O presente é o fiel da balança


Que pesa as nossas angústias;
Tinge com mistérios insondáveis
A luz que inflama o novo dia.



Aveiro, 17.09.2010







       



quinta-feira, 30 de setembro de 2010

EGOÍSMO



Foto de Gustavo Martins





                         EGOÍSMO
                     Carlos Pereira
                     



 Neste vai e vem vertiginoso da vida…
 Deixamos, distraidamente, passar os anos
 Em correria louca, fúria desabrida,
 E não vemos o quão nos causa danos.

 Não prestamos atenção àquele amigo,
 Que dela, em altura adversa, tanto necessita.
 Pobres narcisistas olhando para o umbigo!
 Ignorando a criança que com fome grita.

 Não escutamos a música das ondas do mar,
 A melodia das aves no frenesim do alvorecer,
 Os conselhos dos velhos que têm para nos dar,
 Preferindo, insensatamente, fingir tudo saber.

 Desprezando a sua infinita sabedoria secular;
 Fechamo-nos na concha negra da arrogância…
 Mais importante que receber … é saber dar;
 Aquilo que não se possui em abundância.

 O egoísmo e a ambição corrompem as mentalidades;
 Transformando-nos em insaciáveis predadores,
 Capazes das mais atrozes e infames crueldades;
 Aniquilamos os fracos para sermos os vencedores.

                                           

                             Aveiro, 14.02.2010 






sábado, 25 de setembro de 2010

ÚLTIMO PATAMAR




Foto de Gabriel Pereira





ÚLTIMO PATAMAR
Carlos Pereira



Eis-me chegado
Ao último patamar;
Onde tudo é mensurável,
Escrutinado.
Para trás ficaram sombras
E horizontes de silêncio.
Estou de costas…voltadas para o mundo.
Não ouço o seu discurso gasto,
Esgotado.
Desta lonjura já só escuto;
As palavras lúcidas da montanha
Num murmúrio plácido e melancólico.



Praia da Barra, 12.07.2010



quarta-feira, 22 de setembro de 2010

MAR



Foto de Gabriel Pereira






            MAR
   Carlos Pereira 



Mar imenso!
Infinita vastidão!
Amor intenso
Maior que o coração.


Mar salgado,
Vida em movimento;
Sonho acordado
Que voltas com o vento.


Mar de espuma
Serena-me a alma;
Vai-se a bruma…
E a dor acalma.


Mar amigo,
Meu confidente.
Porto de abrigo…
De barco ausente.


Mar azul-marinho,
Meu companheiro;
Ensina-me o caminho
Para o meu veleiro.


          
  Aveiro, 06.03.2010   

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

AS ARESTAS DAS PEDRAS



(Foto de Gustavo Martins)







        AS ARESTAS DAS PEDRAS
                     Carlos Pereira



        As arestas das pedras,
        Multiformes e milenares;
        Escudo da hostilidade do mundo;
        Protecção, quase maternal,
        Dos que acreditam
        Na bondade dos homens.



                                   Praia da Barra, 17.08.2010




sexta-feira, 17 de setembro de 2010

DO MEU SONO LETÁRGICO


(Foto de Gustavo Martins)



        DO MEU SONO LETÁRGICO
                    Carlos Pereira




Do meu longo sono letárgico,
Já sol alto; acordei;
Dos teus olhos o brilho galáctico;
Foi luz com que os meus; incendiei.

Do meu longo sono sonhei, 
O calor do teu corpo enigmático;
Breve foi nosso amor, bem sei...
E de tão breve...tão mágico.

Esta dor que o meu sonho ilude,
De te ver partir sem regresso;
É castigo penoso que não mereço.

Para novamente em toda a plenitude;
Ter teu lindo, embora efémero, sorriso;
Voltarei a adormecer...se for preciso.


                  Aveiro, 20.06.2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

MEDITAÇÃO



(Foto de Gustavo Martins)



                              MEDITAÇÃO
                            Carlos Pereira




Como é bom desfrutar o remanso de fim de tarde,
Ouvindo o murmúrio lânguido das águas do rio;
Sentir o cheiro da terra prenhe…que Deus a guarde!
Para que o meu sonho não seja apenas um desvario.

Se entretanto, de tanta paz, cair nos braços de Morfeu,
E os meus olhos perderem tão balsâmica contemplação,
Que não percam a esperança que o meu sonho lhes deu,
De verem no sorriso de uma criança… a obra da criação.

Que os últimos raios de sol me tirem desta letargia,
Para sentir o pulsar da vida em todo o seu esplendor;
Vivamo-la, intensamente, como se fosse o derradeiro dia,
Na busca incessante da partilha e do sublime amor.

Constrói os teus caminhos alicerçados na probidade,
E se apesar disso, sem razão, for madrasta a tua desdita,
Não te resignes, luta sem tréguas pela felicidade,
Que um dia ela virá na luz de uma estrela bendita.

                                          

                            Aveiro, 20.03.2010