CANAL DE SÃO ROQUE

CANAL DE SÃO ROQUE

Foto de Gabriel Pereira




sábado, 20 de novembro de 2010

O SONHO DE ABRIL



Foto de Gustavo Martins


             


                  O SONHO DE ABRIL
                       Carlos Pereira




Portugal, país de imemoriais tradições;
Nação gloriosa desde os anais da história,
Não chama nunca, aos que roubam, ladrões,
E transforma a derrota sempre em vitória.

Orgulhamo-nos do teu passado das descobertas,
Das odisseias cantadas pelo magnânimo Camões,
Mas nunca conseguimos sarar as feridas abertas,
E do padre Vieira não escutámos seus sermões.

O sonho de Abril esfumou-se em milhões de miríades!
A luta pelo poder e a guerra de interesses prevalecem…
O país tornou-se numa atarefada feira de vaidades,
Onde os menos afortunados, constantemente, padecem.

A corrupção é bandeira há muito instituída
Com o beneplácito dos sábios governantes.
A democracia cada vez menos conseguida;
Ignora o povo e torna-o pobre como dantes.


                         Aveiro, 26.02.2010       




            
          

sábado, 13 de novembro de 2010

CREPÚSCULOS VERMELHOS



Foto de Piedade Araújo Sol




      

         CREPÚSCULOS VERMELHOS
                      Carlos Pereira


                               Tenho sede de crepúsculos vermelhos!
Apaziguadores de corações doridos.
Tenho fome de auroras benignas
Em céus azuis e transparentes,
Que me aquecem o sangue
E renovam a lucidez da manhã.

Sossegam meus fantasmas velhos e relhos;
Tornam meus sonhos coloridos,
Debruados por fadas de mãos aquilinas;
Suavizam a dor d’ amores ausentes
Que o meu corpo anseia, exangue,
Por um luminoso e indolor amanhã.



        Praia da Barra, 17.08.2010











domingo, 7 de novembro de 2010

VAMPIROS



Foto de Piedade Araújo Sol




                                                   VAMPIROS

                                            Carlos Pereira
                                       



Julgava-os extintos, no mínimo moribundos, feridos de morte…
Mas não, eles aí estão como dantes, ávidos de sangue, malvados;
À espreita dos animais fracos, indefesos, que nunca têm a sorte,
Por uma vez que fosse, de serem eles os sugadores e não os sugados.

Já batem as asas, pela noite calada, como cantava o Zeca…
Estes monstros não alados já atacam durante a luz do dia;
Calmamente, devagar, sem precisarem de correr Seca e Meca,
Que à noite de pança cheia espera-os uma triunfante orgia.

Vêm de todo o lado, alvoroçados, usam as cores como camuflagem,
Mas não conseguem iludir-nos; conhecemos o seu ignóbil rosto;
Vamos combatê-los para que a sua extinção não seja uma miragem,
E dizer-lhes olhos nos olhos: somos nós quem irá beber o vinho mosto.

                                                                     
                                                              
                                                   Aveiro, 29.03.2010  



domingo, 31 de outubro de 2010

SONETO PARA TI



Foto de Gustavo Martins





               SONETO PARA TI
            Carlos Pereira
                                  

          

             Hoje vou dizer que te amo de maneira diferente!
             Vou sair pelos campos fora, colhendo flores…
             Ouvindo Bocelli, cujos versos o amor não desmente.
             Flores; para ti, singelas, perfumadas, de todas as cores.

             Por cada pétala, recebe um beijo sincero, terno,
             Minha amiga, cúmplice, dedicada companheira…
             O meu amor por ti será, infinitamente eterno!
             És o farol que me guiará para a vida inteira.

             Já ultrapassámos múltiplos escolhos, vicissitudes…
             Tenho sido abençoado pelos desígnios dos céus…
             Só anseio que os teus passos se confundam com os meus.

             Que caminhes sempre a meu lado: por favor não mudes 
             No que falta percorrer da estrada sinuosa da vida,
    Ainda que surjam agruras ou uma lágrima vertida.

      
                                                                     
                   Aveiro, 05.02.2010
      
                                                                                                                                                                                                                                                                                                    







                   


domingo, 17 de outubro de 2010

PROCURO



Foto de Piedade Araújo Sol








PROCURO
Carlos Pereira



Procuro durante a noite
Nos recantos da tua nudez;
Um lugar onde me acoite
E seja aceite por uma vez.


Na cristalina água
D’ um rio por inventar,
Se dilua a minha mágoa,
Se em ti não pernoitar.


Meu encanto em teu útero;
Seja semente deste amor
Tão puro, embora adúltero.


Do teu corpo quero o calor;
E tua cabeça em meu úmero
Me adormeça em terno langor.


Aveiro, 06.09.2010




segunda-feira, 11 de outubro de 2010

MULHER



Foto de Piedade Araújo Sol





MULHER
Carlos Pereira



Mulher que se despe
Mulher que te deste.
Não ouviste o mestre-escola?
-Quanto mais se vende
A alma e o corpo…
Mais na lama se atola.
Mulher que entregas
Teu corpo mutilado
Por promessas vãs
De um amor negado;
Teus dias jamais
Terão sol nas manhãs.



Aveiro, 10.05.2010





                                



domingo, 3 de outubro de 2010

O ESPAÇO E O TEMPO



Foto de Piedade Araújo Sol




O ESPAÇO E O TEMPO
Carlos Pereira



Entre o espaço e o tempo,
O átomo deu lugar à matéria;
Fez-se luz, desconhecidos infinitos;
O milagre da vida aconteceu.



Da pedra das trevas fez-se a noite.
Noite no silêncio das estrelas;
Na hera que trepa o muro
E quase abraça o universo.


A viagem de regresso;
É entre o futuro e o passado.
O presente é o fiel da balança


Que pesa as nossas angústias;
Tinge com mistérios insondáveis
A luz que inflama o novo dia.



Aveiro, 17.09.2010