O MARNOTO
Com este humilde soneto, pretendo homenagear a figura do marnoto que labuta nas salinas de Aveiro, garantindo o sustento da sua família.
MARNOTO
Carlos Pereira
Agricultor sem arado,
A salina é a sua leira;
Amanha-a esperançado,
Para o sal, ter na eira.
Se o verão tiver sol forte,
Bem quente a nortada
E não for madrasta a sorte;
A safra será angariada.
Escultor de cristais de sal
Num trabalho árduo, ignoto;
Para ter o pão de cada dia.
Arte bela, glória sem igual,
Que o talento do marnoto;
Esculpe com a água da ria.
Aveiro, 01.01.2011




