DESTE LADO DE CÁ DA BARRICADA
Carlos Pereira
Deste lado de cá da barricada imposta,
Estou eu, estás tu; somos os sonhadores.
Poetas simples de quem pouco se gosta;
Falta-nos a estirpe dos conquistadores.
Em nossa arte, a escol mor, não aposta.
Não temos a magia dos prestidigitadores,
Mas temos a força do gladiador que arrosta,
A ousada besta, que encerram os ditadores.
Herdámos a palavra que nos molda o perfil,
E como a adaga árabe, é faca de dois gumes;
Ora canta o poema, ora abjura o silêncio hostil.
A demanda da luz da verdade, é nossa empresa,
Que se quer mais pura que a dos vaga-lumes,
Para que a luz da esperança, se mantenha acesa.
Aveiro, 07.02.2011
Publicado no Diário de Aveiro