CANAL DE SÃO ROQUE

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Foto de Gabriel Pereira




sexta-feira, 13 de maio de 2011

TRISTE SINA A MINHA



Foto de Gabriel Pereira



                                
           TRISTE SINA A MINHA
           Carlos Pereira


Triste sina a minha!
Grande a minha dor…
Doía menos quando tinha,
A incerteza do teu amor.

Sopra o vento agreste,
Vindo da montanha.
O amor que me deste…
É tristeza tamanha.

Não haverá futuro
Para esta semente.
Teu corpo maduro,
De mim, já nada sente.


Aveiro, 22.01.2011


sexta-feira, 6 de maio de 2011

OUVE-SE AO LONGE O CROCITAR DOS CORVOS

Foto de Piedade Araújo Sol



                         
OUVE-SE AO LONGE O CROCITAR DOS CORVOS
Carlos Pereira


Ouve-se ao longe, o crocitar dos corvos,
Trazido pelo vento quente do vale, prenuncio
Da dilaceração da carne quente da minha solidão
E do sangue vivo do meu silêncio.
Ouço o eco da luz dos meus passos
A fugir do festim dos mortos.
Já não vou chegar a tempo, da coroação das aves,
Porque a penumbra, tomou conta de todas as estradas.


Aveiro, 13.02.2011



domingo, 1 de maio de 2011

MAIO



Foto de Piedade Araújo Sol



                               MAIO
                    Carlos Pereira



Vetusto, és, ó Maio, pelo peso dos anos;
Sempre renovado pelos ideais de Abril.
O povo, cravos vermelhos plantou nos canos
Das espingardas, para não mais ser servil.

Cravo vermelho! Vermelho Maio!
De papoilas em trigais a amadurecer;
Desta roda, deste cantar… eu só saio,
Quando a minha voz enrouquecer.

Poetas do meu país, não parem de cantar
O chão da terra da nossa fraternidade;
Cantemos e demos as mãos para alcançar,
O sonho d’ um povo em liberdade.

Maio maduro! Maio florido!
Em cada peito germina um ideal
Para que Abril seja cumprido;
Em memória dos teus filhos, Portugal.


                             Aveiro, 01.05.2010   

Publicado no Diário de Aveiro

quinta-feira, 28 de abril de 2011

JÁ AMANHECEU NOS CANTEIROS DO MEU JARDIM



Foto de Gabriel Pereira



            JÁ AMANHECEU NOS CANTEIROS DO MEU JARDIM
Carlos Pereira


Já amanheceu nos canteiros do meu jardim!
A aurora branda beija as flores que acordam
Os longínquos horizontes que há em mim;
Numa exaltação que os meus olhos tardam.

Da noite ainda retenho o teu beijo doce
Que deu asas de veludo ao voo do meu sonho;
E o sabor a mel do teu fruto maduro, trouxe,
O aroma e a raiz ao poema que componho.

Da madrugada vieram gnomos, tocando harpa,
Em acordes que me guiaram ao teu rastro
E á luz do teu corpo; brilho ígneo d’ um astro.

Do mar verde dos teus olhos, meu barco não zarpa.
Enquanto a tempestade do meu desejo não acalma,
Há ondas d’ amor a espraiar, felizes, na nossa alma.

Aveiro, 18.03.2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O AZUL QUE SÓ EU VEJO



Foto de Piedade Araújo Sol



           O AZUL QUE SÓ EU VEJO
Carlos Pereira


Acabo de chegar de um lugar que só eu sei,
Que só eu conheço.
De nada valeria haver alguém, que conhecesse,
Esse lugar que só eu conheço;
Nunca o haveria de ver como eu.
Mesmo que usasse os meus olhos
Não veria o azul do céu que eu vejo.
Porque o meu azul; é o mais azul de todos
Os azuis que já foram catalogados.

Trouxe no bornal, feito de uma réstia de pano
Do agasalho de todos os invernos,
         Centelhas de luz, do ígneo pôr-do-sol no mar azul;
Igual ao azul do céu, que só eu vejo.


Aveiro, 22.02.2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

ONÍRICO FIM DE TARDE



Foto de Piedade Araújo Sol




                             
ONÍRICO FIM DE TARDE   
Carlos Pereira


O vento cálido, suave,
Do onírico fim de tarde, 
Traz-me o gorjeio da ave
E o fogo, que em teus olhos, arde.

Leve brisa, leve me tomará
Nos seus braços aromáticos,
Que ao teu corpo me guiará;
Em desejos voluptuosos, orgásticos.

Aveiro. 11.04.2011


quinta-feira, 7 de abril de 2011

MESTRE-DE-OBRAS



Foto de Gustavo Martins



             
                      
         MESTRE-DE-OBRAS
         Carlos Pereira


Se eu pudesse, era mestre-de-obras;
Não daqueles que constroem ameias
E castelos, com barracas paredes-meias;
Construía casas com as suas sobras.

As paredes seriam sempre transparentes
Para se ver do lado de cá, a consciência
Dos que com ganância e concupiscência,
Constroem seus empórios imponentes.

Teriam, escancaradas portas e janelas,
Não por erro de cálculo ou omissão;
Apenas para guardar o sol, jorrado nelas.

Não teriam grades nem má vizinhança,
Seriam por mérito o orgulho da nação;
A crença d’ um país, ainda com esperança.


 Aveiro, 17.01.2011