CANAL DE SÃO ROQUE

CANAL DE SÃO ROQUE

Foto de Gabriel Pereira




sexta-feira, 10 de junho de 2011

MARINHEIROS



Foto de Carlos Pereira


             


MARINHEIROS
Carlos Pereira


Aqui, neste mar de longas horas,
Onde a Terra e o Sol se irmanam em segredo
Para céus nunca sonhados;
Ouço cânticos plangentes
Acompanhados por lágrimas salgadas
De marinheiros inflamados;
Corroídos de saudade de suas Mães
E da Pátria; suas amadas.

Aveiro, 19.05.2011

quarta-feira, 1 de junho de 2011

COM O DEVIDO PEDIDO DE PERMISSÃO

     
Em quase um ano (completa a amanhã) de existência do meu blogue, nunca publiquei senão poemas da minha autoria. Todavia, hoje, vou fazê-lo; trata-se do poema "..do Canto" do blogue "d'Alma" cuja poesia é, no meu entender, de enorme qualidade literária.
Tem, este meu propósito, agradecer ao seu autor, poeta que muito admiro, a especial alusão ao meu poema "NO MEU CANTO".
Peço, igualmente, permissão ao autor do blogue "d'Alma" e ao autor do blogue "Epee" que proferiu tão magnificente comentário ao poema "..do Canto" para publicá-lo, a fim de podermos ver de uma forma mais "poética" a relação existente entre os dois poemas.


..do Canto








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"É no teu canto que eu canto,
Quando adivinho em teu canto,
O canto que no canto se faz memória,
Aninha-se em cantos a desaparecida glória,
Cantos onde cantos mudos já não causam espanto,
Por ávido canto de estrelas onde canta a escória!...
Há o refúgio suave de asas ao vento em teu recanto,
Onde os teus Poemas são serenos registos de Victória!..."

Roubei eu,
Este Poema que dei,
E se ao dá-lo, bem o pensei,
Não penso que seja só Poema meu,
É também de quem no seu canto o recebeu,
Sem saber do pouco que de seu canto sei,
É Poema que ao lho dar ele mo deu,
Comentário rimado que roubei!...


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Autor: A.  "do blogue d'Alma"









Blogger epee disse...





De conteúdo imprescindível, no presente, a inspiração poética, e o poema “..do Canto” conta a história que é de chama ao verso acionado pela capacidade de percepção e de imaginação, na influência recíproca da comunicação da recepção estabelecida entre poesia e leitor [Krystald’Alma / Poemas da Ria].


Na produção artística, a linguagem. Na técnica, a comunicação. O diálogo. E um presente roubado “[Roubei eu, / Este Poema que dei,”]. Durante o processo de leitura, a inspiração [“E se ao dá-lo, bem o pensei,”]. Na arte final, o verso d’Alma. Um privilégio de ambos [“Não penso que seja só Poema meu, / É também de quem no seu canto recebeu,”]. Ao Poeta a poesia, à poesia o Poeta. A leitura aponta a perspectiva da imaginação e convertido em tema [“Sem saber do pouco que de seu canto sei, / É Poema que ao lho dar ele mo deu,”] vislumbra um horizonte que é de canto e o processo de interação é mérito de reconhecimento [“Comentário rimado que roubei!...”].

A leitura da poesia é exclusividade do leitor. A poética d’Alma, seja desde a escolha de seus temas, até a escolha de estilos e formas que caracterizam sua linguagem, expressa através de sua postura muito mais que uma simples característica da personalidade, um modelo a ser seguido, ou espelhado, e supera a elegância e a criatividade. Os temas podem se repetir, assim como vida se repete em muitas outras vidas, mas o estilo, este não, é próprio de cada poema. O recebimento de um texto por parte de um leitor, se crônica, ou prosa, conto ou poema, não provoca o mesmo efeito em um outro. As semelhanças podem existir, ou não, necessariamente. Adivinhamos. Conjecturamos. Depreendemos. E erramos numa proporção muito maior aos acertos. Insistimos. Na mão única.

A feliz escolha das palavras e das rimas, a poeticidade, a performance corporal conduz ao ritmo que faz a melodia e a poesia atinge os órgãos dos sentidos [“É no teu canto que eu canto”]. A estrofe é instrumento e a música acontece; d’Alma canta [“Há o refúgio suave de asas ao vento em teu recanto,”] e um convite se propaga no espaço que é de paz e harmonia [“Onde os teus Poemas são serenos registos de Victória!...”]. Fechamos os olhos e aproveitamos o momento.

E assim se forma um ciclo de realimentação criativa entre linguagem e arte. Na mão dupla, d’Alma e Carlos Pereira.

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30 de Maio de 2011 16:35






quinta-feira, 26 de maio de 2011

NO MEU CANTO



Foto de Gabriel Pereira





NO MEU CANTO
Carlos Pereira


Apetece-me escrever no meu canto,
Agora, neste preciso momento…
Neste inexorável segundo.
Todos temos direito a ter um canto;
Até tu meu irmão, coleccionador de infortúnios.

Neste canto de versos sem estrelas nem sois,
Vou fazer a manutenção das memórias
Para que sobrevivam à voragem do tempo;
Num tempo de poucas glórias.


Aveiro, 11.01.2011


quinta-feira, 19 de maio de 2011

INFINITAMENTE MAIS



Foto de Gabriel Pereira



            INFINITAMENTE MAIS
Carlos Pereira


Fujo, constantemente, dos rios mansos,
Por mais perigosos, infinitamente mais.
As suas águas cálidas e calmas, adormecem
Os corpos dos que ainda pensam e sonham.
Prefiro os outros, os bravos, por mais sinceros,
Infinitamente mais do nosso lado, na insubmissão
Dos leitos pré-escolhidos e das remadas,
Tão dolentemente iguais.

Aveiro, 07.04.2011
  

sexta-feira, 13 de maio de 2011

TRISTE SINA A MINHA



Foto de Gabriel Pereira



                                
           TRISTE SINA A MINHA
           Carlos Pereira


Triste sina a minha!
Grande a minha dor…
Doía menos quando tinha,
A incerteza do teu amor.

Sopra o vento agreste,
Vindo da montanha.
O amor que me deste…
É tristeza tamanha.

Não haverá futuro
Para esta semente.
Teu corpo maduro,
De mim, já nada sente.


Aveiro, 22.01.2011


sexta-feira, 6 de maio de 2011

OUVE-SE AO LONGE O CROCITAR DOS CORVOS

Foto de Piedade Araújo Sol



                         
OUVE-SE AO LONGE O CROCITAR DOS CORVOS
Carlos Pereira


Ouve-se ao longe, o crocitar dos corvos,
Trazido pelo vento quente do vale, prenuncio
Da dilaceração da carne quente da minha solidão
E do sangue vivo do meu silêncio.
Ouço o eco da luz dos meus passos
A fugir do festim dos mortos.
Já não vou chegar a tempo, da coroação das aves,
Porque a penumbra, tomou conta de todas as estradas.


Aveiro, 13.02.2011



domingo, 1 de maio de 2011

MAIO



Foto de Piedade Araújo Sol



                               MAIO
                    Carlos Pereira



Vetusto, és, ó Maio, pelo peso dos anos;
Sempre renovado pelos ideais de Abril.
O povo, cravos vermelhos plantou nos canos
Das espingardas, para não mais ser servil.

Cravo vermelho! Vermelho Maio!
De papoilas em trigais a amadurecer;
Desta roda, deste cantar… eu só saio,
Quando a minha voz enrouquecer.

Poetas do meu país, não parem de cantar
O chão da terra da nossa fraternidade;
Cantemos e demos as mãos para alcançar,
O sonho d’ um povo em liberdade.

Maio maduro! Maio florido!
Em cada peito germina um ideal
Para que Abril seja cumprido;
Em memória dos teus filhos, Portugal.


                             Aveiro, 01.05.2010   

Publicado no Diário de Aveiro