CANAL DE SÃO ROQUE

CANAL DE SÃO ROQUE

Foto de Gabriel Pereira




quarta-feira, 21 de setembro de 2011

NA PRAIA AQUÉM MINHO




Praia de Samil - Vigo
Foto retirada da Net




NA PRAIA AQUÉM MINHO
Carlos Pereira

 
O grito da gaivota, redesenhou
As marés dos meus dias de ócio,
Na praia aquém Minho.
Julguei-me órfão das copas dos pinheiros
E da bonomia das montanhas de olhar perdido,
Em horizontes em que o meu próprio olhar
Se perde e se delicia,
Na praia além Minho.
Ainda bem que trouxe comigo
Todas as palavras para este pôr-do-sol,
Num mar onde posso escrever
Os barcos que repousam na areia;
E que levarão a minha saudade.

Vigo, Praia de Samil, 28.07.2011


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O AR DENSO DA CIDADE



Foto de Carlos Pereira









O AR DENSO DA CIDADE
Carlos Pereira


O ar denso da cidade, aperta como tenazes,
A epiderme angustiada da minha garganta.
Na avidez de sufocar, te comprazes;
Sem broquel teu odor oxidado se agiganta.

Ó Deuses desçam da bruma impura, audazes;
Iluminem o breu da noite sacrossanta
De todos os homens, para que sejam capazes
De purificá-lo, por cada voz que já não canta.

Que o coração humano não seja, exânime,
No crer da bondade para o dorido mundo;
Mesmo que a maldade e a injustiça, o desanime.

Que a luz obstinada da sabedoria seja, o fanal,
Para iluminar o caminho insano e profundo,
Que torne o mundo num jardim universal.

Aveiro, 16.02.2011
Publicado no Diário de Aveiro


terça-feira, 6 de setembro de 2011

HOJE ACORDEI NEM TRISTE NEM CONTENTE



Foto de Carlos Pereira






HOJE ACORDEI NEM TRISTE NEM CONTENTE
Carlos Pereira


Hoje, acordei, nem triste nem contente.
Acordei assim, assim.
Sei que vou viver este dia
Tão igual aos outros em que acordei assim.

Farei um esforço para perceber os mistérios do Universo.
Por cada pulsar de vida que meus olhos fixarem,
Hei-de estar mais perto dos saberes dos homens;
Não da Verdade, que dessa, não vou saber nunca.



Aveiro, 08.03.2011











quarta-feira, 31 de agosto de 2011

TODA A POESIA É BOA



Esculturas com areia do rio do escultor José Monteiro
Foto de Carlos Pereira






TODA A POESIA É BOA
Carlos Pereira


Toda a poesia é boa
Para que a dor não doa.
Mais do que entendê-la,
É preciso saber lê-la.


Aveiro, 21.02.2011
                                  

PONTO POR PONTO



Foto de Carlos Pereira



 PONTO POR PONTO
 Carlos Pereira



 Ponto
 Que desponta
 A contra-ponto,
 Na ponta

 Aponto
 O afronto
 Que confronta
 De pronto
 
 Encontro
 Desencontro
 
 Acrescenta um ponto,
 Quem conta
 Um conto
 Ponto por ponto
 Ponto


 
 Aveiro, 18.01.2011

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

SEMPRE AMEI A POESIA



Foto de La Salete Pereira


                      
 SEMPRE AMEI A POESIA       
 Carlos Pereira


 Sempre amei a poesia!
 Acho que muito antes de o perceber.
 Agora ainda amo mais, creio;
 Quanto mais a leio
 Mais vontade tenho de ler,
 Embora não tanto como merecia.

 Escrevo, amando as palavras
 Sem excepção, assim o digo;
 Como uma mãe ama seus filhos,
 Protegendo-os com mil cadilhos.
 Meu filho verso, bendigo;
 Fruto da musa mãe, que meu poema: lavras.

 Aveiro, 28.01.2011 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

VELHICE



Foto de Carlos Pereira



        
VELHICE
Carlos Pereira


A velhice não é senão o momento
Do tempo que ainda sobra;
Desfiar de memórias, lamento,
D’aquilo que a vida cobra.

Quem das tormentas, o cabo dobra,
         Colhendo desse feito, ensinamento;
Molda o barro da vida, cria obra,
E do pão da sabedoria, alimento.

O passado é o seu ancoradouro,
Donde o barco teima cumprir a rota
Do desígnio que lhe coube em sorte.

Do seu olhar o brilho ainda é d’ ouro,
Cúmplice d’ um grande amor que se nota;
De tão grande, viverá depois da morte.


         Aveiro, 30.01.2011

Publicado na Revista NORTADA do SBN