CANAL DE SÃO ROQUE

CANAL DE SÃO ROQUE

Foto de Gabriel Pereira




sexta-feira, 4 de maio de 2012

SEI DE TI


Foto de Piedade Araújo Sol







SEI DE TI

Carlos Pereira



Sei de ti pelas flores à beira do caminho

E pelo vento em rajadas de música

Trazida pelas asas da ave de regresso ao ninho.


Sei de ti pelas estrelas acesas na noite escura

E pelas nuvens de nívea brancura

Que cobrem os altares dos céus.


Quem saberá de mim? Talvez tu, doce criatura

Se venceres o Olimpo e escutares os segredos de Zeus.


Aveiro, 04.05.2012






terça-feira, 1 de maio de 2012

MAIO (Reposição)



Foto de Piedade Araújo Sol






MAIO
Carlos Pereira



Vetusto, és, ó Maio, pelo peso dos anos;
Sempre renovado pelos ideais de Abril.
O povo, cravos vermelhos plantou nos canos
Das espingardas, para não mais ser servil.

Cravo vermelho! Vermelho Maio!
De papoilas em trigais a amadurecer;
Desta roda, deste cantar… eu só saio,
Quando a minha voz enrouquecer.

Poetas do meu país, não parem de cantar
O chão da terra da nossa fraternidade;
Cantemos e demos as mãos para alcançar,
O sonho d’ um povo em liberdade.

Maio maduro! Maio florido!
Em cada peito germina um ideal
Para que Abril seja cumprido;
Em memória dos teus filhos, Portugal.


Aveiro, 01.05.2010

Publicado no Diário de Aveiro

domingo, 29 de abril de 2012

CANÇÃO DE ADORMECER



Foto de Carlos Pereira




CANÇÃO DE ADORMECER
Carlos Pereira



Vem devagar, devagarinho, sem pressa,
Traz as palavras que te expandem a boca;
Traz a força do grito, aventurado, que impeça
A tortura que a tua ausência provoca.

Desfia, pura e bela, o linho puro desta mágoa,
Escurece-me os cabelos brancos desta vida
E enxuga, com o teu olhar, os meus olhos rasos de água.
Embala o meu peito, quando nele for, a morte pressentida.

Quando a noite vier, generosa e límpida, sussurra-me
Uma canção, com palavras de amor, a sair do teu seio,
Numa procissão de estrelas e lágrimas floridas da lua.

Quando a manhã raiar, vagarosa e diáfana, murmura-me
Um poema, sem palavras de dor, que na tua pele leio,
Em convulsões ritmadas de mim na tua carne nua.



Aveiro, 10.04.2012







quarta-feira, 11 de abril de 2012

EM ABRIL



Foto de Piedade Araújo Sol


EM ABRIL
Carlos Pereira


Deram-nos dias e primaveras de esperança
Em cravos vermelhos na mão de uma criança,
A força da palavra e a luz alva do dia,
A comunhão de todo um povo em alegria.
Fomos felizes, amámo-nos como irmãos;
Fizemos poemas, cantámos, demos as mãos.
Deram-nos a força da liberdade que corre nas veias.
Libertaram-nos da morte que a aranha tece nas teias.
Prometeram-nos searas de pão e alecrim aos molhos,
Trabalho todos os dias e cultura à noite para os olhos.
Deixámos de ser um povo triste e amordaçado!
Hoje, voltámos a ser de novo, um país desgraçado.


Aveiro, 04.04.2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

AMOR REAL



Foto retirada da Net




AMOR REAL
Carlos Pereira

Vassalo comprometido perante ti, sou,
Vergado ao encanto sedutor da tua aura.
Deste mundo, sem teu amor, me vou,
Num peregrinar de anacoreta sem laura. *

No renovar perpétuo da minha paixão,
Entrelaço-me nos braços áridos da dor.
Dos teus olhos a luz, é de compaixão;
Dos meus, é brilho translúcido do alvor.

Teu trono de rainha nunca o desejei,
Nem tão pouco a coroa da tua riqueza;
Minha espada, minha vida, te entreguei,

Como testemunhos da minha sageza.
Se no reino do teu coração, não entrarei,
Ao menos aceita este amor, com realeza.

Aveiro, 29.03,2012

*antiquado designação oriental de cada uma das celas utilizadas por alguns anacoretas.





quinta-feira, 22 de março de 2012

DO MAR JÁ SEI TUDO


Foto de Carlos Pereira





DO MAR JÁ SEI TUDO
Carlos Pereira

 

Se me vires de costas voltadas para o mar
Não concluas que sei mais da Terra.
Do mar já sei tudo.
Vivi todos os fluxos e refluxos das marés;
Exalei todos os aromas da maresia;
Fixei todas as tonalidades da sua pele.
Já senti a felicidade dos grãos de areia, rebolando
Para dentro da imensidão do seu corpo.
Conheço de cor todas as histórias dos piratas,
Mesmo dos que não têm pala no olho,
Nem perna de pau, nem gancho no sítio da mão,
Decepada pelo canhão dos homens bons.
Da Terra, sei muito pouco, quase nada.
Porventura, a culpa será minha porque não sei ler
As margens dos rios que correm nos vales da sua carne.
Sei apenas o que o muro,
Que ardilosamente erigiram diante dos meus olhos,
Me permite olhar.


Aveiro, 08.03.2012




sexta-feira, 9 de março de 2012

OS OLHOS DO MAR NUNCA MENTEM

Foto de Carlos Pereira




OS OLHOS DO MAR NUNCA MENTEM
Carlos Pereira


Os olhos do mar nunca mentem!
Por isso, escuto a tua voz na magia das ondas.
Não esbanjes as palavras;
Sussurra-me ao ouvido com o búzio da tua boca,
Poemas de amor.
Escreverei o teu nome para sempre
Na areia molhada do meu coração.
Com esse pedaço de felicidade, farei um barco
Que me levará todas as tardes para junto de ti
No mar verde dos teus olhos, inundando-me
De desejos pelo bafo quente de Verão do teu corpo.


Aveiro, 08.03.2012