CANAL DE SÃO ROQUE

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Foto de Gabriel Pereira




sábado, 23 de junho de 2012

SEGUIREI O RUMO DO RIO

Foto de Carlos Pereira






SEGUIREI O RUMO DO RIO

Carlos Pereira



Esta réstia de sol há-de dar luz ao meu olhar

Para seguir o caminho imposto pelo mapa ancestral,

Desbotado por nuvens negras, impelidas pelo enigma do fim.

Só me ensinaram o princípio do caminho;

Nem sequer me guiaram os passos no asfalto do inferno.

Seguirei o rumo do rio até ao abraço do mar,

Que me aceitará como seu dilecto filho.

Em breve, também tu, ó rio lento e cansado

De refazer destinos desfeitos,

Repousarás nas profundezas do seu reino.



Aveiro, 31.05.2012

sexta-feira, 22 de junho de 2012

HAICAIS



Foto de Gabriel Pereira





HAICAIS
Carlos Pereira

……………………………….

Alga submersa
tímida e bela. Límpida
claridade dispersa.

……………………………….

Uma vela de sal
obscura. Lágrima futura
 no mar de Portugal.

……………………………….

Mar universal,
astrolábio. Marinheiro sábio:
veleja Portugal.


Aveiro, 17.06.2012

terça-feira, 19 de junho de 2012

A MINHA VOZ SUBSISTE



Foto de Carlos Pereira





A MINHA VOZ SUBSISTE
Carlos Pereira


Trago o destino às costas e,
Não me canso.

Trago o sol nos olhos e,
Não me deslumbro.

Trago a noite na alma todo o dia
Até voltar a ser noite e,
Não esmoreço.

Trago a esperança num oásis
Que não distingo e,
Não desisto.

Trago a aridez do deserto
Na secura da minha boca e,
A minha sede resiste.

Trago as palavras mortas de fome e,
A minha voz subsiste.


Aveiro, 17.06.2012






sábado, 16 de junho de 2012

HAICAIS



Foto de Carlos Pereira





HAICAIS
Carlos Pereira

…………………………………

Da metáfora
surge a estrofe. Urge
o poema agora.

………………………………….

Ouço da tua voz
nítido som oprimido,
morte ao algoz.

…………………………………

Dorme meu menino!
A avó vai cantar-te o sol-e-dó,
sonha pequenino.


Aveiro, 14.06.2012

quinta-feira, 14 de junho de 2012

ONDE A MINHA SEDE SE DESSEDENTA



Foto de Carlos Pereira





ONDE A MINHA SEDE SE DESSEDENTA

Carlos Pereira



Sob a tua pele correm rios de água lenta

A transbordar de nascentes distantes,

Onde a minha sede se dessedenta.


Pura, serás, em cada maré que o teu corpo se der

E a minha boca, mendiga e ávida, te beber.


Aveiro, 03.06.2012


segunda-feira, 11 de junho de 2012

HAICAIS



Foto de Salete Pereira





HAICAIS
Carlos Pereira

………………………………………….

Os ramos agarram-se
Ao tronco da mítica árvore,
A folha morre só.

………………………………………….

Sibila o vento frio.
Ruge a fera no cimo do monte,
Maior é o teu grito.

…………………………………………..

Agoniza o triste rio
Na mortalha lúgubre das margens,
Nossas mãos de coveiro.


Aveiro, 10.06.2012



sexta-feira, 8 de junho de 2012

HAICAIS



Foto retirada da Net




HAICAIS
Carlos Pereira

…………………………………....
Florescem as rosas
E as laranjeiras na primavera,
Colhe o pólen a abelha.

…………………………………....

Crocita o corvo no céu
E adensam-se escuras nuvens;
Morreu a linda ave.

…………………………………....

O fogo assassino,
Queimou a indefesa árvore.
Quem chora a Terra?

…………………………………......

Aveiro, 03.06.2012