CANAL DE SÃO ROQUE

CANAL DE SÃO ROQUE

Foto de Gabriel Pereira




quinta-feira, 28 de junho de 2012

HAICAIS



Foto retirada da Net








HAICAIS
Carlos Pereira

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Esparso medo,
chacina feroz. Indigna
Auschwitz manhã-cedo.
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Enola Gay, mãe e morte
sobre Hiroshima. Pobre
gente sem sorte.
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Grito da terra.
Prodígio versus martírio,
mãos sujas da guerra.
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Aveiro, 21.06.2012












domingo, 24 de junho de 2012

HAICAIS



Foto retirada da Net







HAICAIS

Carlos Pereira



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Aranha tece a morte;

geometria de seda. Sombria

no golpe de sorte.

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O ar incendeia
quente o beijo pendente.
Corpos na areia.
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O vento rodopia

impante. Sopro constante,

força e energia.

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Aveiro, 18.06.2012








sábado, 23 de junho de 2012

SEGUIREI O RUMO DO RIO

Foto de Carlos Pereira






SEGUIREI O RUMO DO RIO

Carlos Pereira



Esta réstia de sol há-de dar luz ao meu olhar

Para seguir o caminho imposto pelo mapa ancestral,

Desbotado por nuvens negras, impelidas pelo enigma do fim.

Só me ensinaram o princípio do caminho;

Nem sequer me guiaram os passos no asfalto do inferno.

Seguirei o rumo do rio até ao abraço do mar,

Que me aceitará como seu dilecto filho.

Em breve, também tu, ó rio lento e cansado

De refazer destinos desfeitos,

Repousarás nas profundezas do seu reino.



Aveiro, 31.05.2012

sexta-feira, 22 de junho de 2012

HAICAIS



Foto de Gabriel Pereira





HAICAIS
Carlos Pereira

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Alga submersa
tímida e bela. Límpida
claridade dispersa.

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Uma vela de sal
obscura. Lágrima futura
 no mar de Portugal.

……………………………….

Mar universal,
astrolábio. Marinheiro sábio:
veleja Portugal.


Aveiro, 17.06.2012

terça-feira, 19 de junho de 2012

A MINHA VOZ SUBSISTE



Foto de Carlos Pereira





A MINHA VOZ SUBSISTE
Carlos Pereira


Trago o destino às costas e,
Não me canso.

Trago o sol nos olhos e,
Não me deslumbro.

Trago a noite na alma todo o dia
Até voltar a ser noite e,
Não esmoreço.

Trago a esperança num oásis
Que não distingo e,
Não desisto.

Trago a aridez do deserto
Na secura da minha boca e,
A minha sede resiste.

Trago as palavras mortas de fome e,
A minha voz subsiste.


Aveiro, 17.06.2012






sábado, 16 de junho de 2012

HAICAIS



Foto de Carlos Pereira





HAICAIS
Carlos Pereira

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Da metáfora
surge a estrofe. Urge
o poema agora.

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Ouço da tua voz
nítido som oprimido,
morte ao algoz.

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Dorme meu menino!
A avó vai cantar-te o sol-e-dó,
sonha pequenino.


Aveiro, 14.06.2012

quinta-feira, 14 de junho de 2012

ONDE A MINHA SEDE SE DESSEDENTA



Foto de Carlos Pereira





ONDE A MINHA SEDE SE DESSEDENTA

Carlos Pereira



Sob a tua pele correm rios de água lenta

A transbordar de nascentes distantes,

Onde a minha sede se dessedenta.


Pura, serás, em cada maré que o teu corpo se der

E a minha boca, mendiga e ávida, te beber.


Aveiro, 03.06.2012