CANAL DE SÃO ROQUE

CANAL DE SÃO ROQUE

Foto de Gabriel Pereira




quinta-feira, 12 de julho de 2012

HAICAIS



Foto retirada da Net








HAICAIS
Carlos Pereira

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Universal poeta!
Fernando ri chorando.
Pessoa, asceta?
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A abelha no seu afã,
meticulosa e silenciosa.
Rainha e guardiã.
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Semente do pão
lançada à terra amada.
Cantemos o chão.
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Aveiro,08.07.2012




segunda-feira, 9 de julho de 2012

HAICAIS



Fonte da Vida - Castelo de Vide
Foto de Carlos Pereira






HAICAIS
Carlos Pereira

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Abrigo da Terra,
espaço vital. Regaço
que a flor encerra.
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Pura face da vida,
horizonte. Água da fonte;
dádiva sofrida.
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Minhas mãos vazias,
imaculadas. Desoladas
manhãs, vãs e frias.
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Aveiro, 01.07.2012






domingo, 8 de julho de 2012

FALINHAS MANSAS



Foto retirada da Net







FALINHAS MANSAS
Carlos Pereira


Compostas
Compotas
Capotas
O carro
Fumas
Um cigarro
Fósforo
Bósforo
Mar morto
E o nosso a dar para o torto
Faz
Faz de conta
É o capataz
Barata tonta
Desconte na conta
Endurece a alma
Dura vida
Perdes a calma
Precisas de uma bebida
Calcário
Pedras preciosas
Calvário
Este mar não é de rosas
Aumenta a despesa
Baixa a receita
A raposa não é presa
Cresce a seita
Falam-te ao coração
O povo gosta
Quem se lixa é o mexilhão
Vai uma aposta?


Aveiro, 06.07.2012






quinta-feira, 5 de julho de 2012

MEU IRMÃO



Foto de Carlos Pereira







MEU IRMÃO

Carlos Pereira




Comove-te, meu irmão, com o canto do rouxinol

No píncaro da árvore que a Terra-Mãe abraça.


Canta, meu irmão, quando o sol te beija logo pela manhã

Num abraço de flores com raízes de fogo.


Chora, meu irmão, com os destroços de dor que a guerra gera

No seu ventre de morte e num rio de rubro sangue,

Desagua em sepulturas de saudade.


Se o fizeres, talvez à noite adormeças numa cama de música

E à cabeceira, tenhas um livro com linguagem só de luz.


Aveiro, 10.05.2012

quarta-feira, 4 de julho de 2012

HAICAIS



Foto de Carlos Pereira






HAICAIS
Carlos Pereira



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Colhe a doce flor

no meu jardim. Ai de mim,

não colho o teu amor.

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O fogo acende

o centro do corpo. Dentro

meu amor se rende.

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Luz no estuário,

beleza. Subtil Natureza;

poema de Cesário.

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Aveiro, 23.06.2012



sábado, 30 de junho de 2012

CANÇÃO DE AMOR



Foto retirada da Net








CANÇÃO DE AMOR

Carlos Pereira




Esta fenda lúgubre, sangrando, talhada no meu peito,

Faz-me recordar tantos amores, alguns de vã glória.

Amar e ser amado, será desígnio? Será um direito?

Ó amantes incorruptos: guardai-os, sempre, na memória.



Este meu corpo torpe, definhando, sorte que mal aceito,

Traz-me tantas recordações, má fortuna, felicidade inglória.

Sublime amor me dás em troca de quase nada, minguado preito,

Te presto neste poema, sentido, de comezinha inspiratória.



A minha vida é uma montanha a parir amor contigo,

Cheia de flores campestres e beijos com sabor a mar

A eclodir, fieis desejos, no teu ventre níveo bendigo.



Agora tenho quem me ama e aceita esta vontade de sonhar;

Quem faz de mim, decrépito amante, seu porto de abrigo.

Se te disser que te amo, acredita, é o meu coração a falar.



Aveiro, 21.04.2012

quinta-feira, 28 de junho de 2012

HAICAIS



Foto retirada da Net








HAICAIS
Carlos Pereira

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Esparso medo,
chacina feroz. Indigna
Auschwitz manhã-cedo.
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Enola Gay, mãe e morte
sobre Hiroshima. Pobre
gente sem sorte.
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Grito da terra.
Prodígio versus martírio,
mãos sujas da guerra.
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Aveiro, 21.06.2012