CANAL DE SÃO ROQUE

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Foto de Gabriel Pereira




segunda-feira, 6 de agosto de 2012

HIROSHIMA



Foto retirada da Net










HIROSHIMA
Carlos Pereira


Na antecâmara do epílogo final os ossos da humanidade,
São fragmentos da nossa história que nunca se completará.
Haverá sempre monstros com rostos de morte, capacidade,
De quem usa a frágil lucidez que um dia qualquer nos matará.

Que a espada da sabedoria se cinja ao exército da igualdade
Na conquista do amor redentor, bálsamo, que cicatrizará,
As feridas infligidas desde o Olimpo dos deuses na antiguidade
Até à crueldade das hordas de Átila ou de Hitler, que jamais se esquecerá.

Que se busque o mais puro barro e nas mãos do vetusto fígulo,
Sejam moldadas sãs consciências para os homens deste mundo.
Cessem as armas e o ódio. Destrua-se o despiciendo patíbulo

Que ao longo dos evos, cerceou de forma vil, a vida a outros iguais.
Pugnemos para que o nosso futuro não seja um memorial imundo
A perpetuar a crueza da morte. HIROSHIMA e Nagasaki nunca mais.



Aveiro, 05.05.2012


domingo, 5 de agosto de 2012

O QUE ME DÓI



Foto retirada da Net



O QUE ME DÓI
Carlos Pereira

O que me dói
Não é saber dos teus sapatos rotos
Nem da tua camisa branca pendurada no estendal da paz
Nem da fome
Com que alimentam as tuas ave-marias cheias de (des)graça
Como quem remete um postal de Boas Festas no Natal
A prometer muitos presentes para os teus sapatinhos tristes

O que me dói
Não é a tua postura de pinguim submisso,
Invariavelmente, inclinado para a frente e para baixo a agradecer sempre
Mesmo que não te deem nada

O que me dói
É a minha impotência
Para mudar o rumo do rio poluído de mentes obscenas


Aveiro, 13.04.2012












 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

HAICAIS



Foto de Carlos Pereira









HAICAIS
Carlos Pereira

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Corais de poesia,
um canto virtual. Encanto
de versos e magia.
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O céu é o limite
também para nós poetas, sem
o valor da elite.
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Sorte adversa,
crua e dura. Prematura
sina transversa.
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Aveiro, 27.07.2012






sexta-feira, 27 de julho de 2012

HAICAIS



Foto de Carlos Pereira








HAICAIS
Carlos Pereira

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Frágil esperança,
irracional. Sem ideal
o mundo não avança.
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Poema com rima,
freima que o poeta teima.
Dom ou estima?
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Palavra viva,
sintética. Estética
mui expressiva.
……………………………………

Aveiro, 19.07.2012



terça-feira, 24 de julho de 2012

A JUSTEZA DA PALAVRA



Foto de Carlos Pereira







A JUSTEZA DA PALAVRA

Carlos Pereira


A justeza da palavra, sóbria, límpida na sua essência,
abre o caminho à respiração das sílabas na
brancura da página do livro, único, buscando
a generosidade do poema.
Eis o poema, não perfeito; só o silêncio do verso é
perfeito  a trespassar a rugosidade da palavra que
não calamos, vertida do sangue de todos os poetas, que
há-de burilar as faces negras ao diamante de
translúcida pureza maculada.
Forjemos o canto com palavras espessas, resgatadas
ao fogo libertador para que o poema renasça sem a
crueza das sombras, regenerador, obstinado e livre.

Aveiro, 04.07.2012









sábado, 21 de julho de 2012

PRIMAVERA



Foto de Piedade Araújo Sol






PRIMAVERA
Carlos Pereira


Toda a Natureza inteira,
Rejubila de vida e cor.
Desabrocham cânticos e a flor,
Desvenda a luz derradeira.

Toda a gente feliz de fio-a-pavio.
Em cada cortejo uma dança
Com alardes de esperança
No gerar de vida no fim do cio.

Aveiro, 23.06.2012







sexta-feira, 20 de julho de 2012

HAICAIS



Foto de Gabriel Pereira








HAICAIS
Carlos Pereira

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A erosão desgasta,
silenciosa e impiedosa;
até a vida casta.
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Longa carícia;
seios de amor cheios.
Teu corpo vícia.
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Unânime é a glória.
Perder às vezes é crescer,
mas sem vitória.
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Aveiro, 13.07.2012