CANAL DE SÃO ROQUE

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Foto de Gabriel Pereira




terça-feira, 25 de setembro de 2012

ATENTO DISCÍPULO

Foto retirada da Net
 
 
 
 
 
 
 
ATENTO DISCÍPULO
 
Carlos Pereira
 
 
 
Os pés do menino, descalços, seguiam
 
O sulco húmido do arado, puxado
 
Pela dócil parelha de vacas amarelas,
 
Que o Ti Xico, sabiamente conduzia
 
Com a mão esquerda, tisnada
 
Pelo sol de muitos anos. Na direita,
 
Uma pequena vergasta de vime,
 
À qual só dava serventia na mudança de rego,
 
Batendo mais na canga do que nos nobres animais;
 
Ajuda prestimosa na manobra rotineira
 
A cada novo sulco esventrado à terra.
 
Era visível de forma indelével,
 
A conivente irmandade entre homem e animais.
 
As lavandiscas esvoaçavam num afã meticuloso
 
Na esperança de uma refeição de vermes subtérreos,
 
Que o arado, generosamente, punha a nu.
 
Todos trabalhavam para granjear o árduo
 
Sustento. O menino era, na maior e mais sábia
 
Sala de aula, um atento discípulo.
 
 
 
 
Aveiro, 05.06.2012
 
 
 


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

HAICAIS

 
 
Foto de Carlos Pereira
 
 
 
 
 
 
 
HAICAIS
Carlos Pereira
 
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Onda profunda.
Longínquo som. Profícuo
saber que inunda.
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Mar azul agitado,
convulsão na praia. Emoção.
Teu amor lembrado.
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Onda gigante.
Pôr-do-Sol. Magia. Arrebol
no teu semblante.
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Aveiro, 25.08.2012
 
 
 

 
 
 


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

CAPITÃO DE UM EXÉRCITO INERME

 
 
Foto retirada da Net
 
 
 
 
 

CAPITÃO DE UM EXÉRCITO INERME

Carlos Pereira
 
                 
                 
                                Ao Tonito, meu amigo de sempre
 


Jaz na manhã fria o ranger da infância!

No soalho puído da minha memória,

Ergo o olhar e percorro a distância

Até ao passado numa fusão sem escória.
 


Ainda se pressente no ar a doce fragrância

De um petiz; serenidade por demais notória

Na claridade dos olhos. No coração, a ânsia

De quem feliz, quer recordar a sua história.
 


Pés descalços, calções de ganga, capitão

De um exército inerme e sem uniforme.

Amizade era o que disparava o seu coração
 


Se o tambor da discórdia, rufava desconforme,

Na peleja mais acesa, pueril discussão;

Tomava-nos de assalto, emoção enorme.
 
 


Aveiro, 24.05.2012

 

 

 

 



sexta-feira, 24 de agosto de 2012

COMO EU VEJO O MAR

 
 
Lagos
Foto de Carlos Pereira
 
 
 
 
 
 
 
COMO EU VEJO O MAR
 
Carlos Pereira
 
 
Estou aqui sentado há um ror de tempo,
 
Se medido pela clepsidra abandonada nas areias desta praia
 
Pelos marinheiros que a aportaram há milhões de anos.
 
Milhões de anos nunca será muito tempo para contemplar o mar;
 
Ademais, eu gasto muito mais tempo a olhá-lo dentro do seu interior,
 
Do que a olhar a espuma na superfície dos seus dias.
 
Escuto os seus segredos seculares e perscruto o silêncio fulvo das algas,
 
Aliadas dos peixes que nunca farão as pazes com o criador do seu destino.
 
Nós e os peixes, somos filhos da mesma criação,
 
Porque o sal das nossas lágrimas
 
É igual ao sal das lágrimas do mar.
 
 
 
 
Aveiro, 07.05.2012
 
 
 
 
 

 
 
 




 
 


 






 

 
 
 



quarta-feira, 22 de agosto de 2012

HAICAIS

 
 
Praia da falésia - Vila Moura
Foto de Salete Pereira
 
 
 
 
 
 
 
 
HAICAIS
Carlos Pereira
 
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Corpos seminus,
bronzeados. Ornados
de vida e luz.
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Falsa partida!
Em vão o esforço d’então,
carta perdida.
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Vila Moura és,
sedutora. Vou embora
mas fico a teus pés.
…………………………………
 
Vila Moura, 09.08.2012
 

 
 
 
 
 



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

HAICAIS



Foto de Carlos Pereira








HAICAIS
Carlos Pereira

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Eco da montanha,
voz de Deus. Desamores meus
são pena tamanha.
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Seiva de vida
qual fluxo do mar. Refluxo
da maré contida.
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Asa livre, ligeira.
Eterno abraço fraterno.
Luz na clareira.
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Aveiro, 28.07.2012




segunda-feira, 6 de agosto de 2012

HIROSHIMA



Foto retirada da Net










HIROSHIMA
Carlos Pereira


Na antecâmara do epílogo final os ossos da humanidade,
São fragmentos da nossa história que nunca se completará.
Haverá sempre monstros com rostos de morte, capacidade,
De quem usa a frágil lucidez que um dia qualquer nos matará.

Que a espada da sabedoria se cinja ao exército da igualdade
Na conquista do amor redentor, bálsamo, que cicatrizará,
As feridas infligidas desde o Olimpo dos deuses na antiguidade
Até à crueldade das hordas de Átila ou de Hitler, que jamais se esquecerá.

Que se busque o mais puro barro e nas mãos do vetusto fígulo,
Sejam moldadas sãs consciências para os homens deste mundo.
Cessem as armas e o ódio. Destrua-se o despiciendo patíbulo

Que ao longo dos evos, cerceou de forma vil, a vida a outros iguais.
Pugnemos para que o nosso futuro não seja um memorial imundo
A perpetuar a crueza da morte. HIROSHIMA e Nagasaki nunca mais.



Aveiro, 05.05.2012