CANAL DE SÃO ROQUE

CANAL DE SÃO ROQUE

Foto de Gabriel Pereira




quinta-feira, 24 de abril de 2014

RENASCER DE ABRIL



Foto retirada da Net




RENASCER DE ABRIL
Carlos Pereira
 
 
Este país que é o meu e o teu
Tem de novo o povo servil;
Tão depressa se esvaeceu
Aquele cravo vermelho de Abril.
 
Este país que é o meu e o nosso
Tem de novo o lobo a sair do covil.
E de repente cavou-se um fosso
Para ficarmos aquém de Abril.
 
Este país triste martirizado
Pelo garrote arrogante e vil
Do poder ufano incivilizado,
Jamais permitirá apagar Abril.
 
Este país que devia ser do povo
Despiu a farda e vestiu-se à civil.
Quarenta anos volvidos e de novo
A esperança no renascer de Abril.
 
 

Aveiro, 03.04.2014

Publicado no Diário de Aveiro








terça-feira, 22 de abril de 2014

RELEMBRAR ABRIL





Foto retirada da Net









          


             RELEMBRAR ABRIL
             Carlos Pereira


 
             Amanhã virei dizer-te aqui
             quanto te quero minha terra meu país.
             Não quero ver partir mais navios de ti,
             levando teus filhos a saudade e a raiz.


             Sossega meu peito e a minha voz
             num estreito abraço de irmão.
             Sê nosso mentor e dá a cada um de nós
             um cravo e um poema em cada mão.


             Entre Abril e um gesto puro
             há um frémito em todos nós.
             Num campo de trigo maduro
             há um país em que estamos sós.


             Em cada primavera tece gritos de poesia.
             Por cada recuo avança um sonho e tal.
             Estala os dedos e foguetes de alegria
             por cada Abril. Liberta-te Portugal!


            Maio florido! Cravo vermelho!
            Rubro sangue força d’ um povo.
            Ó meu país, não te quero velho
            ou adormecido. Levanta-te de novo.


                      Aveiro, 04.04.2014


     Publicado no Diário de Aveiro


 


 


 


 


 


 


 


 










        

           




 



 





 


 
 


 


 





















           


           

































segunda-feira, 21 de abril de 2014

UM AMOR SONHADO



Foto de Carlos Pereira




UM AMOR SONHADO
Carlos Pereira
 
 
Virás um dia qualquer, despida de ti,
Mostrar-me o interior das coisas perfeitas
E imperfeitas, como o tempo que não vivi,
Ou as minhas paixões insatisfeitas.
 
Mesmo efémero nunca o amor corrompi,
Ainda que só amasse com a alma as eleitas.
A todas as tormentas, ileso, sobrevivi,
E também às silentes palavras contrafeitas.
 
Se o amor compensar um amor perdido
Com outro amor por ti, belo e renascido,
Enxameando o meu coração de felicidade,
 
Sublimarei o teu nome em cada momento
Dos nossos dias. Tua pureza será alimento,
Para que a minha alma viva com alacridade.
 

 

Aveiro, 11.02.2013

 

 

 

 

 


domingo, 13 de abril de 2014

SONETO



Foto de Salete Pereira




SONETO
Carlos Pereira
 
Há quem lhe outorgue, por mérito, o epíteto
Da mais bela joia da literatura poética.
Para criá-lo, mais do que um golpe ou ímpeto,
É necessário arte burilada, sintética.
 
É muito mais do que catorze versos que arquitecto
Na construção de uma composição imagética.
Se na rima das quadras ao derradeiro terceto
Me empenho, descuro, a elegância da métrica.
 
Busco as palavras na recôndita arca da memória
E imploro a imprescindível ajuda das musas,
Para que os versos mereçam a vanglória
 
Que aos poetas é atribuída sem soberba ou vaidade.
Se porventura o meu poema não é mais purista, mil escusas
Suplico a quem o ler com um aplauso de humildade.
 
 

Aveiro, 16.02.2014
Publicado no Diário de Aveiro

 

 

 


quinta-feira, 27 de março de 2014

SOU UM PÁSSARO, SOU UM PALHAÇO



Foto de Carlos Pereira






SOU UM PÁSSARO, SOU UM PALHAÇO
Carlos Pereira
 
 
Sou um pássaro
Apardalado
Neste beiral
Chamado Portugal
Enfadado
 
Sou um palhaço
Apalhaçado
Neste circo infernal
Chamado Portugal
Desonrado
 
Sou um pássaro
Apalhaçado
Sou um palhaço
Apardalado
Neste labirinto medieval
Chamado Portugal
Desgovernado
 
 
Aveiro, 13.06.2012


sexta-feira, 14 de março de 2014

AVÔ CONTA-ME A HISTÓRIA





"ARCO IRIS" Desenho do meu neto Xavier








AVÔ CONTA-ME A HISTÓRIA
Carlos Pereira
 
                      Para o meu neto Xavier
 
Avô conta-me a história do pirata
Que sabia contar até sete
Nunca vestiu uma gravata
Só camisa preta e colete
 
Avô conta-me a história do urso
Que sabia contar pelos dedos da mão
Sabia de cor o difícil percurso
Para pescar o suculento salmão
 
Avô conta-me a história do cão
Que sabia dar uma bela cabriola
Ao fim da tarde esperava no portão
Que o petiz chegasse da escola
 
Avô conta-me a história do gato
Que calçava luvas e botas
De uma dentada o queijo do prato
Comia e contente dava cambalhotas
 
Avô conta-me a história do caracol
Que trazia sempre a casa às costas
Adorava pôr os corninhos ao sol
E detestava corridas e apostas
 
Avô conta-me a história da baleia
Que majestosa nadava no alto-mar
Embalada pelo canto da sereia
Nadava, nadava, mas parecia bailar
 
Avô conta-me a tua história
Quando eras como eu, pequeninho
Guardá-la-ei na minha memória
Para contá-la um dia ao meu netinho
 
 
Aveiro, 12.02.2014
 
Publicado no Diário de Aveiro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

















 


segunda-feira, 3 de março de 2014

PELA ROTA DOS TEUS OLHOS



Foto de Carlos Pereira




PELA ROTA DOS TEUS OLHOS
Carlos Pereira
 
 
Aventurei-me no mar pela rota dos teus olhos
num barco em fuga latejando desejos.
Entre o fluxo e o refluxo das marés,
há marcas subtis na praia do teu ventre.
Se Neptuno me poupar à fúria tempestuosa das ondas,
sobre as quais pairam esquivas gaivotas,
poderei aportar ao desejado cais do teu coração,
donde não partirei jamais.
 

 

Aveiro, 23.01.2013