Ouve-se com frequência, que ser poeta é um estado de alma. Até pode ser. Para mim ser poeta é amar a palavra, maternalmente, como uma Mãe ama seus filhos, todos diferentes, mas com a mesma dose de amor. Ser poeta é, fazer da utopia um sonho permanente; é ser adulto e criança ao mesmo tempo.
quinta-feira, 26 de março de 2015
sexta-feira, 20 de março de 2015
SUBITAMENTE, OU TALVEZ NÃO
Óleo s/ tela de Salete Pereira
SUBITAMENTE, OU TALVEZ NÃO
Carlos
Pereira
Subitamente,
ou talvez não, surgiste bela e pura
transbordando
intensa luz como se fora o sol
a
derramar-se pelas paredes do meu quarto,
dissipando
as sombras que me angustiam e
tolhem
o discernimento.
Quando
digo luz, digo amor ou poema, ou a fusão de ambos,
bacteriologicamente
puros na sua essência e
no
propósito da sua razão existencial.
Agora,
que és cúmplice do meu estado de euforia,
desenho
o teu rosto e recorto-o na tela do meu sonho;
assim,
a angústia deixará de dormir a meu lado
sempre
que te ausentares de mim.
Aveiro,
04.02.2014
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
TODAS AS COISAS
Foto de Carlos Pereira
TODAS AS COISAS
Carlos Pereira
Tudo
aquilo que nos propomos cumprir,
Está
na ordem lógica da execução das coisas.
Porém,
o tempo pode ser considerado
Inimigo
ou aliado, conquanto a sua consecução
Tenha
êxito ou não.
Nesse
trajecto as palavras são marcas fascinantes
Na
peregrinação do pensamento
Para
desvendar o mistério de todas as coisas,
Ou
de tudo,
Ou
de nada,
Ou
do princípio em que as palavras,
Eram
apenas palavras a sossegarem
O
regresso do nosso desespero,
Porque
todas as coisas continuam imóveis
Na
nossa memória.
Aveiro,
13.02.2013
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
SOU TUDO SOU NADA

Imagem retirada da Net
SOU TUDO SOU NADA
Carlos Pereira
Sou tudo, sou nada na
rigidez do êxito
Alvo secreto de
infinito desejo
Sou o princípio de um
texto
Ausência timorata de
um beijo
Resquício de sóbria
loucura
Nos escombros da
lucidez impura
Aveiro,
16.05.2013
domingo, 28 de dezembro de 2014
IMENSO
Foto de Carlos Pereira
IMENSO
Carlos
Pereira
o
céu é imenso. o mar é imenso.
ambos
são azuis e imensos. até para lá do infinito.
o
pensamento é imenso. o amor é imenso.
ambos
são inexpugnáveis e imensos. até para além da morte.
Aveiro,
22.12.2014
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
SOU EU OU OUTRO POR MIM
Foto de Carlos Pereira
SOU EU OU OUTRO POR MIMCarlos Pereira
Sou eu ou outro por mim
Que sonha como eu, sendo eu assim
Tão real por dentro e por fora;
Um e outro somos a criança de outrora.
Sou eu infinito jardim,
Pétala que se desprende de mim.
Bem quista luz da aurora;
Uma e outra são a infância que demora.
Aveiro, 01.03.2013
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
É-ME DFÍCIL ACEITAR OS ESTÍMULOS VISCOSOS

Imagem retirada da Net
É-ME DIFÍCIL ACEITAR OS ESTÍMULOS VISCOSOS
Carlos
Pereira
É-me
difícil aceitar os estímulos viscosos
vindos
de quem se julga superior aos demais.
Admito
que me faltam os tiques dos meninos
que
estudaram num qualquer colégio francês ou alemão.
Que
sou rude com as palavras e com os gestos.
Confesso
que nunca pude dizer:
-
O meu pai mandou o chauffeur buscar-me à escola no mercedes
ou
quando chegar a casa a Maria vai preparar um lanche com leite e chocolate,
torradas
com manteiga, queijo e compota de morango.
Mas
pude dizer:
-
Joguei à bola, feita de uma meia velha já bastante remendada
e
com trapos também velhos e gastos. Apanhei girinos nas poças de água
nascidas
das primeiras chuvas de Outono.
Sabia
o nome dos pássaros pelo seu canto e tinha amigos leais.
Confesso
que nunca pude dizer:
-
O meu pai levou-me a visitar o jardim zoológico.
Mas
pude dizer:
-
O meu pai levou-me à pesca, ensinou-me a utilizar a cana,
os
diversos tipos de anzol e a panóplia de iscos.
É-me
difícil aceitar os estímulos viscosos
vindos
de quem se julga superior aos demais.
Avança.
Marcha. Bate com vigor a bota na parada.
Bate
a continência. Salva a nação e a aparência.
Olha
a boina, recruta, está mal colocada.
Ó
nosso pronto quem o ensinou a marchar.
Que
falta de elegância, que inoperância.
Ó
nosso cabo leve o jipe ao comando que o nosso general
quer
ir ao ninho matar saudades da sua jovem namorada.
Acabaram
as munições. Acabou a guerra.
Quem
a ganhou?
-
Fomos nós, que tínhamos poemas de combate em vez de aviões e de um
submarino
decrépito e ferrugento, que nunca tirou a cabeça debaixo de água;
se
fosse areia seria uma avestruz.
Truz!
Truz!
Quem
é?
-
Somos nós que fomos ao lado de fora, para aquilatar a veracidade do que dizem.
Mas
é mentira o que estão a dizer, o que disseram e o que irão dizer no futuro.
É-me
difícil aceitar os estímulos viscosos
vindos
de quem se julga superior aos demais.
O tempo e os rios passam lentos e é tão
difícil sofrer neste país;
talvez por isso o nosso extermínio não seja
exequível.
Aveiro, 21.02.2014
Publicado no Diário de Aveiro
Dito no programa de fados e poesia, “Solar da
Bairrada”, pelo fadista e poeta José Guerreiro na Rádio Província de Anadia
in "Poetas d'hoje / Antologia Edição Grupo de Poesia da Beira Ria / Aveiro 2016
in "Poetas d'hoje / Antologia Edição Grupo de Poesia da Beira Ria / Aveiro 2016
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