CANAL DE SÃO ROQUE

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Foto de Gabriel Pereira




sábado, 30 de maio de 2015

A PALAVRA E O POETA







Foto de Carlos Pereira





A PALAVRA E O POETA
Carlos Pereira
 
Sou poeta de versos límpidos e serei
Incapaz de ser doutra forma.
À poesia há muito me dei;
Faço poemas sem regra ou norma.
 
Só às palavras reconheço lei
E com elas a estrofe desenforma
O poema, que a cada dia, renovarei.
A palavra, só amada, se conforma.
 
Da palavra, minha essência e morada,
Serei pertinaz defensor, paladino,
Para que nunca seja, ultrajada.
 
Irmanados defendemos um destino;
Tu permaneças sempre livre, não agrilhoada:
Eu, em cada poema, seja teu peregrino.
 
 

Aveiro, 28 Janeiro de 2015

 

 

 


sábado, 16 de maio de 2015

AMAR







Foto de Salete Pereira



AMAR
Carlos Pereira
 
 
Amar, é a palavra que não te disse e as que nunca te direi.
É o silêncio das nossas vozes caladas ao fim da tarde.
Amar, é o movimento dos dedos, dos gestos,
do estremecer do corpo ante o desejo.
Amar, é o nascer do sol dentro do teu peito; é um rio
de fluxo sereno a desaguar nos teus olhos.
Amar, é sonhar acordado contigo e darmos as mãos
para saber tudo um do outro.
Amar, é isto tudo, e tu.
 

Aveiro, 12.12.2014

 


domingo, 3 de maio de 2015

MONÓLOGO PARA MINHA MÃE







Foto de Salete Pereira










MONÓLOGO PARA MINHA MÃE
Carlos Pereira
 
 
É já longo o caminho
Que percorri
Desde o teu ventre, mãe.
Quando me recordo de ti
Chorando baixinho,
Meu coração chora também.
 
Venho pedir-te
Que não te martirizes:
Eu e os meus irmãos,
Somos felizes!
Sempre que damos as mãos,
Lembramos as nossas raízes.
 
Olha, tenho uma alegria
Para te dar:
Já tens mais netos
E dos mais velhos,
Lindos bisnetos;
Belos espelhos
Para o teu eterno olhar.
 
 
Aveiro, 6 de Fevereiro de 2015
 
Publicado no Diário de Aveiro
 
 
 


quinta-feira, 26 de março de 2015

sexta-feira, 20 de março de 2015

SUBITAMENTE, OU TALVEZ NÃO



Óleo s/ tela de Salete Pereira




SUBITAMENTE, OU TALVEZ NÃO
Carlos Pereira
 
 
Subitamente, ou talvez não, surgiste bela e pura
transbordando intensa luz como se fora o sol
a derramar-se pelas paredes do meu quarto,
dissipando as sombras que me angustiam e
tolhem o discernimento.
Quando digo luz, digo amor ou poema, ou a fusão de ambos,
bacteriologicamente puros na sua essência e
no propósito da sua razão existencial.
Agora, que és cúmplice do meu estado de euforia,
desenho o teu rosto e recorto-o na tela do meu sonho;
assim, a angústia deixará de dormir a meu lado
sempre que te ausentares de mim.
 
 
 

Aveiro, 04.02.2014

 

 

 


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

TODAS AS COISAS





Foto de Carlos Pereira


TODAS AS COISAS
Carlos Pereira
 
 
Tudo aquilo que nos propomos cumprir,
Está na ordem lógica da execução das coisas.
Porém, o tempo pode ser considerado
Inimigo ou aliado, conquanto a sua consecução
Tenha êxito ou não.
Nesse trajecto as palavras são marcas fascinantes
Na peregrinação do pensamento
Para desvendar o mistério de todas as coisas,
Ou de tudo,
Ou de nada,
Ou do princípio em que as palavras,
Eram apenas palavras a sossegarem
O regresso do nosso desespero,
Porque todas as coisas continuam imóveis
Na nossa memória.
 

 

Aveiro, 13.02.2013

 

 




sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

SOU TUDO SOU NADA




Imagem retirada da Net




SOU TUDO SOU NADA
Carlos Pereira
 
Sou tudo, sou nada na rigidez do êxito
Alvo secreto de infinito desejo
Sou o princípio de um texto
Ausência timorata de um beijo
 
Resquício de sóbria loucura
Nos escombros da lucidez impura
 
 

Aveiro, 16.05.2013