Foto de La Salete Pereira
Ouve-se com frequência, que ser poeta é um estado de alma. Até pode ser. Para mim ser poeta é amar a palavra, maternalmente, como uma Mãe ama seus filhos, todos diferentes, mas com a mesma dose de amor. Ser poeta é, fazer da utopia um sonho permanente; é ser adulto e criança ao mesmo tempo.
sábado, 25 de fevereiro de 2017
FRAGMENTOS
terça-feira, 31 de janeiro de 2017
AZUIS
Foto de La Salete Pereira
Dedico este poema à minha
querida amiga poeta mágica dos azuis
AZUIS
Carlos Pereira
E os azuis emergem do
silêncio
adocicado da noite e,
amanhece mais cedo nos
teus olhos
e o poema voa tranquilo
nas asas de um pássaro,
também ele azul,
imortalizado nos teus
sonhos cromáticos.
E o teu olhar é um rio
azul que dessedenta
os cansaços áridos do teu
coração
entre as férteis margens
do sonho,
onde navegas até ao mar
em que o azul,
é a seiva do ar que
respiras.
Aveiro, 2 de Maio de 201
Publicado ni Diário de
Aveiro
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
JUSTO É O CÉU
Foto de La Salete Pereira
JUSTO É O CÉU
Carlos Pereira
A flor murchou tão delicadamente
e os meus olhos abertos ficaram
tristes e, dolorosamente,
duas lágrimas deles brotaram.
Justo é o céu e o ímpar saber da
natureza.
Livre é o pensamento na sua
grandeza.
Aveiro,
18 de Outubro de 2015
Publicado
no Diário de Aveiro
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
A FORÇA DA RAZÃO
Foto de Carlos Pereira
A FORÇA DA RAZÃO
Carlos Pereira
Este mundo incrédulo, desavindo,
É como barco sem ancoradouro.
Todo o mister é bem-vindo
Como a pele quando vira couro.
Não há sol que tanto brilhe
Nem noite que tanto escureça.
Pelo longo caminho se trilhe
O que de melhor em nós se conheça.
Não sou príncipe nem reino, tenho!
Quando venço, repudio, a glória.
Carrego por vocação o pesado
lenho
Contra toda a urdidura censória.
Que do bem ninguém se farte
E perante o mal não se amoleça.
Se pelo lado fraco a corda parte
É porque o mais forte não tropeça.
Se formos fieis a nós mesmos,
Urdiremos ufana bandeira.
Contra perversos feudalismos,
Seja a voz, gloriosa charneira.
Aveiro,
30 de Setembro de 2015
Publicado
no Diário de Aveiro
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
O VOO DO INSECTO
Foto de Salete Pereira
O VOO DO INSECTO
Carlos Pereira
Há uma brandura na mão que afaga o
rosto da tarde,
e o silêncio da noite estelar irá comover-se
com esse gesto.
O voo do insecto projecta-se na seara
através do vento tórrido de um verão de
pedra,
e o suor desse esforço dessedenta o
sangue aceso
das veias do solo rugoso e gretado,
cemitério incandescente, onde descansam
os ossos
do nosso comiserador descontentamento.
Aveiro, 31 de Agosto de 2016
Publicado no Diário de Aveiro
quarta-feira, 28 de setembro de 2016
MOMENTOS REFLEXIVOS
Foto de Salete Pereira
MOMENTOS REFLEXIVOS
Carlos Pereira
Na imperfeição do caminho há tortuosos contornos,
que são o troféu maior dos que vencem
com a veemência afirmativa da sabedoria.
Quando me detenho a olhar a natureza,
sou profundamente mais humano e imensamente feliz,
porque tudo me pertence nesse exacto momento.
Olhar, é ver muito para além de quem apenas vê
e se acomoda no entediante casulo de observador lôbrego.
Não temas percorrer o caminho sinuoso da montanha;
nela não tropeçarás.
Teme, sim, a tua marcha no caminho pedregoso,
ainda que de pequenos seixos e plano;
nele tombarás se teus passos não forem, inequivocamente,
invulneráveis e precisos.
A implacável solidão pode-nos gastar, pode-nos tombar;
corpos pendentes sobre um muro instável;
trajetória indomável do destino.
Sopro do vento a murmurar-nos memórias antanhas
e a prolongar a lentidão da noite na agonia das sombras.
A brancura da manhã adormece os meus versos
na sonolenta corrente do rio e, as palavras silenciosas,
ocupam o vazio entre a distância do alvor do teu sorriso
e o entardecer matizado pelo esplendor colorido de um amor indiviso.
Aveiro, 19 de Fevereiro de 2016
Publicado no Diário de Aveiro
Carlos Pereira
Na imperfeição do caminho há tortuosos contornos,
que são o troféu maior dos que vencem
com a veemência afirmativa da sabedoria.
Quando me detenho a olhar a natureza,
sou profundamente mais humano e imensamente feliz,
porque tudo me pertence nesse exacto momento.
Olhar, é ver muito para além de quem apenas vê
e se acomoda no entediante casulo de observador lôbrego.
Não temas percorrer o caminho sinuoso da montanha;
nela não tropeçarás.
Teme, sim, a tua marcha no caminho pedregoso,
ainda que de pequenos seixos e plano;
nele tombarás se teus passos não forem, inequivocamente,
invulneráveis e precisos.
A implacável solidão pode-nos gastar, pode-nos tombar;
corpos pendentes sobre um muro instável;
trajetória indomável do destino.
Sopro do vento a murmurar-nos memórias antanhas
e a prolongar a lentidão da noite na agonia das sombras.
A brancura da manhã adormece os meus versos
na sonolenta corrente do rio e, as palavras silenciosas,
ocupam o vazio entre a distância do alvor do teu sorriso
e o entardecer matizado pelo esplendor colorido de um amor indiviso.
Aveiro, 19 de Fevereiro de 2016
Publicado no Diário de Aveiro
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
A RARA APARIÇÃO DOS PÁSSAROS
Foto de Salete Pereira
A RARA APARIÇÃO DOS PÁSSAROS
Carlos Pereira
Carlos Pereira
A rara aparição dos pássaros
bebendo a água das estrelas
e dos freáticos astros complacentes,
acicatam o núcleo contemplativo
do nosso olhar limpidamente endógeno.
Lamparinas de puro azeite, indicam o
caminho
para as plúmbeas tempestades que enlaçam o cais
onde os barcos são dolentes abraços
de constelações suspensas.
para as plúmbeas tempestades que enlaçam o cais
onde os barcos são dolentes abraços
de constelações suspensas.
Há uma condenação que nos mutila,
porque os pássaros deixaram de voar
sobre um mar auspicioso de monótona água.
porque os pássaros deixaram de voar
sobre um mar auspicioso de monótona água.
Aveiro, 17 de Abril de 2016
Publicado no Diário de Aveiro
Assinar:
Postagens (Atom)