CANAL DE SÃO ROQUE

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Foto de Gabriel Pereira




sábado, 22 de agosto de 2015

MERCADOS



Imagem retirada da Net




MERCADOS
Carlos Pereira
 
Sob as asas deste mundo
extemporâneo, louco,
tão grande na sua dimensão exterior
e tão pequenino, azedo,
nos interstícios do seu interior,
um ciclópico grito rouco
há-de levantar-se furibundo
contra a venal liberdade, sem medo.
 

Aveiro, 4 de Julho de 2015

 

 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

REENCONTRO COM ALBERTO CAEIRO



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REENCONTRO COM ALBERTO CAEIRO
Carlos Pereira
 
 
Por vezes, damos voltas e voltas e mais voltas
para no fim voltarmos ao ponto de partida.
Por que acontece este desígnio iniludível?
Não sabemos. Ou melhor sabemos; não sabemos é dizê-lo
por palavras que todos entendamos.

Se ao menos nesse tempo todo em que fomos completamente inúteis,
olhássemos com naturalidade para as coisas,
mesmo as mais insignificantes como uma flor ou uma pedra;
não para saber o nome da planta ou o seu período de floração e
saber se a pedra é xisto, um pedaço de calcário ou granito,
mas antes, apreciar o belo colorido da flor tratada com esmero
e as arestas bem delineadas da pedra, por mãos hábeis de incógnitos,
jardineiro e canteiro, que emprestam todo o seu saber sensível
para dar beleza ao jardim da nossa vida e tornarem mais agradável
a apreciação sensorial daquilo que nos rodeia.
 
Quando gostamos de algo dizemos que é bonito;
quando não gostamos dizemos que é feio;
quando não é bonito nem feio, dizemos que é diferente.
Mas se é diferente, qual o padrão de referência que usámos;
o bonito ou o feio?
Tenho para mim que quando dizemos que é diferente,
é porque também nessa circunstância não sabemos dizer
por palavras entendíveis a razão intrínseca dessa diferenciação.
 
Nem aos poetas, a quem todos os devaneios da palavra são consentidos,
é permitido afirmar que a natureza é circunstancialmente diferente.

A natureza pode ser mutável e é-o certamente;
poder ser bonita ou feia, mas nunca diferente;
se fosse diferente deixava de ser natureza e
passava a ser um homem, um ser marinho, uma estrela ou um deus.
 
Nunca me senti tão próximo de mim e de ti, poeta,
como neste labirinto de ideias e palavras.
 

 

Aveiro, 11 de Março de 2015

Publicado no Diário de Aveiro




quarta-feira, 1 de julho de 2015

SONETO PARA JOSÉ SARAMAGO







Foto retirada da net



SONETO PARA JOSÉ SARAMAGO
Carlos Pereira
 


Tua escrita, genuína, tem percurso verosímil;
Água límpida de todos os rios do nosso alento.
São flores de todos os jardins de Abril;
São aves a voar e a renascer a cada momento.
 
Nasceste, pobre, em Azinhaga no ano de mil,
922. Enobreceste a Língua com o teu grado talento
E premiaram-te com o Nobel sem seres servil;
Tua obra será sempre um farol de luz, isento.
 
Teu estro tornou teus livros magnânimos,
Sobrelevando a estirpe da nossa Pátria-Mãe;
O mesmo estro que levou as naus mais além.
 
Teu engenho e juízo foram os maiores ânimos
Que elevaram tua obra ao Olimpo dos imortais;
Feito e memória, imperecíveis, para além dos anais.


Aveiro, 29 de Janeiro de 2015

Publicado no Diário de Aveiro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


sábado, 27 de junho de 2015

O POVO SAÍU À RUA

Adejam, no ar denso, silvos crocitantes.
Avançam, serenos, homens e mulheres
de cravos e palavras em riste.
Há prantos esquecidos em rostos triunfantes.
No esboroar do passado, atro e triste,
cresce um futuro fecundo em saberes
de um povo que teimosamente resiste.

Aveiro, 22 de Junho de 2015

quarta-feira, 3 de junho de 2015

OS ..... NOS IS







Foto de Carlos Pereira



OS ..... NOS IS
Carlos Pereira
 
 
É chegada a hora do . final
e de pôr os ..... nos is
É tempo de Portugal
chamar pelo nome os bois
 
Cada . é um "case study"
e não há . sem nó
Este país é uma "rave party"
onde todo o . mete dó
 
O . seja ele pequeno ou grado
tem a sua própria história
O povo miúdo pode ser enganado
mas não perde a sua memória
 
..... que não são de luz
mas de atra obscuridade
Há gentalha que só produz
a morte da portugalidade
 
O povo lúgubre está em . morto
como carro parado em qualquer . ;
ou como barco a definhar no porto
à espera de alguém que ainda quer - ponto
 
 

Aveiro, 16 de Maio de 2015

 


terça-feira, 2 de junho de 2015

5º ANIVERSÁRIO



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O meu blogue faz, hoje, 5 anos de existência. A todos aqueles que lêem e tecem comentários aos meus poemas, acuso com emoção esse propósito, remetendo um abraço de amizade e agradecimento.




sábado, 30 de maio de 2015

A PALAVRA E O POETA







Foto de Carlos Pereira





A PALAVRA E O POETA
Carlos Pereira
 
Sou poeta de versos límpidos e serei
Incapaz de ser doutra forma.
À poesia há muito me dei;
Faço poemas sem regra ou norma.
 
Só às palavras reconheço lei
E com elas a estrofe desenforma
O poema, que a cada dia, renovarei.
A palavra, só amada, se conforma.
 
Da palavra, minha essência e morada,
Serei pertinaz defensor, paladino,
Para que nunca seja, ultrajada.
 
Irmanados defendemos um destino;
Tu permaneças sempre livre, não agrilhoada:
Eu, em cada poema, seja teu peregrino.
 
 

Aveiro, 28 Janeiro de 2015