CANAL DE SÃO ROQUE

CANAL DE SÃO ROQUE

Foto de Gabriel Pereira




terça-feira, 29 de junho de 2010

EMOÇÕES


(óleo sobre tela de Salete Pereira)



  EMOÇÕES
 Carlos Pereira





                                  A vida é uma panóplia de emoções
                                    Que por vezes não controlamos;
                                   Assim é também com os corações
                                     D’ aqueles amores que amamos.


                                           A luz é farol que nos guia…
                                      O amor é impulso que nos move;
                                          Vale mais chorar de alegria
                                   Do que rir d’ aquilo que nos comove.


                                  O indigente que não tem quem o acoite,
                                  Ou lhe dê o calor de uma palavra amiga;
                                     Jamais adormece… chegada a noite,
                             Sem agradecer às estrelas do céu que o abriga.


                                                         Aveiro, 14.04.2010


                                Publicado no Diário de Aveiro de 09.10.2010

sábado, 26 de junho de 2010

ESTE MAR

(
(óleo sobre tela de Salete Pereira)



            ESTE MAR
        Carlos Pereira






Para cá da barreira de coral
Há um mar onde os barcos
Não têm rumo nem mastros,
Nem marinheiros por sinal.

Povo d’ um destino sempre fatal!
Teu leme nunca teve teus braços
A guiar-te neste mar de cansaços
E de sonhos petrificados de sal.


Onde já foram pérolas é agora areia;
Palco do encanto e do canto da sereia
Que nos aprisiona com o seu feitiço.


Soltem-se os peixes da prisão!
Devolvamos-lhe a liberdade… e só então,
Este mar deixará de ser submisso.




           Aveiro, 17.05.2010

domingo, 20 de junho de 2010

POEMA DE AMOR



(óleo sobre tela de Salete Pereira)


    
   
         POEMA DE AMOR
            Carlos Pereira



Queria tanto fazer-te um poema
De versos rimados e flores;
Cingir teus seios com alfazema
E rosas de todas as cores.

Este amor que em mim arde
Como o sol no espaço sideral;
Anseia que de ti não tarde…
Um beijo ardente e intemporal.

Da luz dos teus olhos vou fazer
Uma alvorada resplandecente;
E se deles uma lágrima se verter…


Em teu coração farei nascer
Um rio de amor transparente,
Que em cada maré irá crescer.



        Aveiro, 27.04.2010

quinta-feira, 17 de junho de 2010

CHEGAR



(imagem retirada do Google)




       CHEGAR
  Carlos Pereira




Caminho
Dobrando a curva
Vencendo a recta
Sozinho;
Já vejo a meta.
Anseio que a etapa
Não endureça.
Não aspiro ganhar
Nem perder;
Só quero chegar…
Antes que anoiteça.



 Aveiro, 28.05.2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

PORQUE SE HÁ-DE FINGIR



                                              (imagem retirada do Google)

            
           PORQUE SE HÁ-DE FINGIR
                      Carlos Pereira


Porque se há-de fingir o que não somos;
Iludir a verdade ferindo a consciência;
De nada vale tentar ser o que não fomos,
Só para dourarmos a nossa existência.

Pouco importa o berço onde nascemos!
Os brasões e os tesouros herdados,
Se na mentira castelos erguemos…
Com a verdade… seremos julgados.

Calem-se, ó bocas de maledicência!
O silêncio é de ouro quando entendemos,
Que fingir só salva a aparência.

Se formos diáfanos nos actos; honrados
Na derrota e humildes quando vencemos;
O fingimento e a loa serão repudiados.

                     
                        Aveiro, 08.04.2010


Publicado no Diário de Aveiro de 28.08.2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

HAVIA UM PÁSSARO



                                                  (Foto de Bruno Abreu)
                                                                       (retirada da Net)
      
           
           HAVIA UM PÁSSARO
                Carlos Pereira


Havia um pássaro na minha infância,
Que todas as manhãs,
No beiral do meu telhado poisava.
E cantava!
E cantava!

Fizesse sol, chuva, frio ou vento do sul…
Volvia sempre à mesma hora,
E do meu sonho me acordava.
E cantava!
E cantava!


No seu trinado suave como veludo…
Trazia-me um raio de sol;
Qual mão que me aconchegava.
E cantava!
E cantava!


Um dia o pássaro não voltou…
E julgando ouvir seu canto;
Minha alma chorava.
E chorava!
E chorava!


             Aveiro, 09.04.2010


Publicado no Diário de Aveiro de 05.09.2010









domingo, 6 de junho de 2010

NA GEOMETRIA DO TEMPO



                                                (imagem retirada da Net)


NA GEOMETRIA DO TEMPO
          Carlos Pereira


 Na geometria do tempo;
 Fui ângulo, curto espaço;
 Fui passado e presente,
 Um segundo n' um abraço.
 Agora que o dia
 Tem a exacta medida
 Do meu sonho intacto;
 Só serei futuro.


              Praia da Barra, 04.06.2010

quarta-feira, 2 de junho de 2010

SE AO MENOS SOUBÉSSEMOS

  (imagem retirada da Net)
                                           
 




 SE AO MENOS SOUBÉSSEMOS
              Carlos Pereira


Se ao menos soubéssemos
Devolver o sorriso às crianças;
Pintar-lhes um mundo melhor...
Resgatar as suas esperanças
Numa existência sem fome
E sem pólvora ao seu redor.


Se ao menos soubéssemos
Transformar suas lágrimas em flores;
Limpar seus agrestes caminhos
Das ervas daninhas d' amargura;
Fazer das suas as nossas dores
E tornar macia a sua cama dura.

            
              Aveiro, 27.05.2010


Publicado no Diário de Aveiro de 02.06.2010 e 08.08.2010




A MINHA CIDADE (Aveiro)


                                                           Fotos de Gabriel Pereira
http://aveirana.doc.ua.pt/archivephotos/tricana-3.htm
Foto de Carlos Pereira
Foto de Carlos Óscar Pereira
Fotos de Carlos Pereira







A MINHA CIDADE (Aveiro)
         Carlos Pereira


Aveiro,
Cidade luz!
Ria,
De azul Abril,
Pintadas.





Moliceiro
Vogando, imortal...
Maresia em movimento
Enfrentando,
Nortadas.





O teu sal...
Outrora,
Feito suor e sangue
Por mãos,
Maltratadas.





Terra
De heróis,
Navegadores
Vencendo rotas,
Alcançadas.





Símbolo
De Democracia,
De Liberdade
Nas asas de uma gaivota,
Conquistadas.





José Estevão
Tribuno emérito,
A sua memória e obra
Em merecida homenagem,
Lembradas.





São Gonçalinho
Santo casamenteiro,
Não prometas marido
Às solteiras, se já o deste às...
Casadas.









             
             Aveiro, 05.02.2010


Publicado na Revista NORTADA do SBN de Março de 2010
Publicado no Diário de Aveiro de 14.07.2010 e 17.08.2010




Nota



São Gonçalo, tido como casamenteiro, é o santo padroeiro da minha freguesia natal: Vera Cruz. Em sua honra faz-se uma festa no Bairro da Beira Mar, lugar emblemático da freguesia, no domingo mais próximo do dia 10 de Janeiro. O elevado afecto, que as gentes do Bairro da Beira Mar sentem pelo santo, faz com que o tratem devota e carinhosamente por São Gonçalinho. Por vezes, também, quando se referem a ele utilizam as expressões "o meu santinho" ou "o meu menino".
A festa de São Gonçalinho é, essencialmente conhecida pelas cavacas (pão doce e rijo), cuja tradição manda que sejam atiradas do cimo da capela aos mais necessitados, como pagamento de promessas feitas ao Santo. 
Nessa ocasião gera-se enorme confusão no átrio, onde as pessoas usam os mais diversos artefactos, desde camaroeiros a guarda-chuvas invertidos, etc., dando lugar a encontrões e corridas desenfreadas para serem bem, sucedidas na bizarra forma de apanhar as referidas cavacas. Há, também, algumas cabeças rachadas ou com alguns "galos", porque alguns incautos descuram a atenção no momento do seu arremesso.