CANAL DE SÃO ROQUE

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Foto de Gabriel Pereira




segunda-feira, 31 de outubro de 2011

INTEGRIDADE




Foto retirada do Google




INTEGRIDADE
Carlos Pereira

                                  À memória de Salgueiro Maia


Abomino as asas, que me trouxeram de volta
Ao cosmos do caos.   
Repudio a conceptualização mimética,
Pasto abundante dos estereótipos
Que escoram as mentes acéfalas do poder.
Angustia-me o silêncio dos bons,
Mais do que a bravata dos usurpadores;
Mas regozijo-me com a honradez dos,
Homens íntegros, que apenas anseiam
Regressar à sombra depois da conquista.

Aveiro, 30.10.2011

in "Poetas d'hoje" Antologia III - Edição do Grupo de Poesia da Beira Ria / Aveiro 2016

domingo, 23 de outubro de 2011

SEARAS DE POESIA



Foto de Carlos Pereira



SEARAS DE POESIA
Carlos Pereira



Viajo no interior da seiva da palavra
Para que nunca agonize o meu verso;
E assim, do trono etéreo, minha musa lavra
Searas de poesia em mármore terso.


Do mar venha um vento brando, embalado
Em barcos de sal e ondas de fúria mansa,
Que levará meu poema na pedra talhado,
Por rotas e impérios onde a palavra não cansa.


Ambiciono ser rico; não de ouro ou vil metal;
Ter a palavra como bem mor, minha fortuna,
Pluralidade de versos, herança universal.


Da inspiração, quero o meu dom bem fecundo.
Da palavra, quero a força do orador na tribuna.
Do meu poema, quero ser voz de infante, no mundo.




Aveiro, 30.03.2010

Publicado na revista NORTADA



domingo, 16 de outubro de 2011

O ÚLTIMO POEMA



Foto de Carlos Pereira



O ÚLTIMO POEMA
Carlos Pereira


Esta rua é demasiado estreita
Para nós, para os nossos sonhos.
Há muito que devíamos ter partido,
Deixar tudo para trás;
A raiz, o tronco, os ramos, as folhas,
Das nossas horas desbotadas.
Levávamos, apenas, o nosso amor.
Pelo caminho, falávamos só com o vento
E com as flores que nos acenassem.
Recordávamos os dias felizes e os dias
Em que o Sol, secou as lágrimas
Às estrelas que nos visitam.
Deixávamos uma carta para tranquilizar
Os muros e as sombras e a água do riacho
Que apaga o incêndio dos nossos silêncios;
Prometendo o regresso quando chegar
A hora de fazer, o último poema.



Aveiro, 07.10.2011







                              

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

BELOS E DECENTES



Imagem retirada do Google




          

BELOS E DECENTES
Carlos Pereira


Hoje, vou fingir que vivo num país decente
Ainda que não lucre nada com isso.
Todos devíamos fingir que vivemos num país decente.
Assim, talvez fosse mais decente este país,
Que não tem, de decência, quase nada.
Podia-se começar por melhorar as pessoas,
Não no seu lado estético.
Para isso, já existem os mil e um cremes anti quase, tudo;
A cirurgia estética, os prodígios do “silicone” e os SPAS;
Tudo ferramentas, para modificar ou melhorar,
O lado que menos interessa a um país decente.
Não se pode perder tempo com o seu lado supérfluo
Quando há tanto para fazer no seu lado intrínseco.
É urgente, é necessário, que saibamos transformar
O nosso percurso interior na persecução
De uma sociedade, em que todos nos sintamos,
Belos e decentes.

Aveiro, 15.09.2011