CANAL DE SÃO ROQUE

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Foto de Gabriel Pereira




sexta-feira, 4 de março de 2011

DESTE LADO DE CÁ DA BARRICADA









        DESTE LADO DE CÁ DA BARRICADA
        Carlos Pereira


Deste lado de cá da barricada imposta,
Estou eu, estás tu; somos os sonhadores.
Poetas simples de quem pouco se gosta;
Falta-nos a estirpe dos conquistadores.

Em nossa arte, a escol mor, não aposta.
Não temos a magia dos prestidigitadores,
Mas temos a força do gladiador que arrosta,
A ousada besta, que encerram os ditadores.

Herdámos a palavra que nos molda o perfil,
E como a adaga árabe, é faca de dois gumes;
Ora canta o poema, ora abjura o silêncio hostil.

A demanda da luz da verdade, é nossa empresa,
Que se quer mais pura que a dos vaga-lumes,
Para que a luz da esperança, se mantenha acesa.

       
                Aveiro, 07.02.2011
            Publicado no Diário de Aveiro



5 comentários:

  1. Louvo sua frontalidade e coragem, caro Carlos Pereira!...
    A verdade é que são tantos os “poetas”, onde saltam à vista os que se acham em detrimento dos que têm muito do mais para o ser!... Passando por dezenas de blogues, a avidez pelo comentário só é proporcional ao número de “poetas” que dizem respirar Poesia, esquecendo-se de confessar a hipocrisia da confissão; na verdade, gostam apenas do elogio fácil, mesmo que descabido, e, não raro, nem se importam de reconhecer a mentira descarada do elogio!...
    Eu tenho uma “larga” experiência de nesse batalhar contra a hipocrisia que contamina muito da blogosfera e, como tal, tenho levado das boas aqui no “coiro” já curtido pelo sal e Sol de quem não gostou de ver os olhos abertos de quem os tem!... Paciência, se não me Amarem, pelo menos, sou bem capaz de fazer com que me odeiem, hehehehehehe…
    Acontece o mesmo na pintura; são tantos os péssimos “pintores” a pintar inconcebíveis coisas sem jeito nem subjectividade, que para encontrar o bom Pintor é quase tarefa impossível!... faz-me lembrar, também o Futebol; são tantos os maus jogadores (profissionais) que encontrar um bem acima da média, este caso, está ao alcance, até, de um cego!
    Isto para ser lido e elogiado é preciso ter, tal como o caro Carlos Pereira diz, e muito bem, “… a estirpe dos conquistadores”. Modernos, diria eu, onde o carácter é irrelevante!... O perfil é importante: Um metro e oitenta de altura, olhos azuis ou verdes, irreverente, rico e profissionalmente bem sucedido. Com estas qualidades, nada mais é necessário para ser um verdadeiro e credível poeta!...
    Entretanto, os Poetas, andam por aí entretidos com a beleza das coisas, sejam elas tristes ou alegres!... E ninguém compreende porque razão um “sujeito” simples há-de ser POETA!...


    Parabéns pelo post!


    Bom fim de semana


    Abraço

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  2. um soneto a lembrar Abril.

    bela foto!

    um beij

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  3. A esperança deve ser a última coisa a morrer, mesmo "deste lado de cá da barricada imposta"...
    Caro amigo, gostei do teu poema, principalmente pelo conteúdo.
    Abraço.

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